Quais os prós e contras das cirurgias bariátricas e quais são elas?
No mundo, existem mais de 1 milhão de adultos com sobrepeso e mais de 300 mil, com obesidade. Excesso de peso é estimado pelo índice de massa corpórea (IMC): divida seu peso pela altura ao quadrado (utilizar as unidades kg, para o peso, e metro, para a altura).
• Obesos mórbidos têm IMC acima de 40;
• Superobesos, acima de 50;
• Obesos moderados, entre 30 e 39,9 kg/m2.

Veja o exemplo abaixo:
58 quilos  ÷  (1,64 x 1,64)  =
58 ÷ 2,6896  =  IMC 21,56   
Resultado: Peso normal. 
Clique no link azul e leia também: quando uma pessoa é considerada obesa

A cirurgia bariátrica também é indicada para obesos moderados com doença cardiopulmonar e/ou diabetes - clique no link azul para ler Obesidade e Diabetes. Classes socioeconômicas menos favorecidas são as mais comprometidas. A obesidade é associada a hábitos alimentares, distúrbios hormonais, metabólicos ou neurológicos, mas, em 70% dos pacientes, fatores genéticos são determinantes no desenvolvimento da doença. Entre os psicológicos, a principal causa é a depressão e a perda de autoestima, que ocorre em 90% dos obesos mórbidos e em 25% dos pacientes com peso normal.

Cirurgia para obesidade, também referida como cirurgia para redução gástrica ou cirurgia bariátrica, objetiva a manutenção da vida. Não há tratamento clínico eficaz para portadores de obesidade em grau maior que a moderada. Mudar hábitos alimentares e fazer exercícios físicos não é suficiente na perda e manutenção de peso normal para aquele grupo de obesos. A obesidade é uma doença é crônica e fatal.

O risco de morte pela cirurgia varia de 0,3 a 1,5%, inferior ao risco decorrente de complicações da obesidade. Compare: a taxa de mortalidade entre os obesos é 12 vezes maior em adultos com idade entre 25 e 40 anos, quando comparada com a de indivíduos de peso normal.  Ou seja, os riscos da cirurgia são pequenos comparados com os riscos causados pela obesidade. O obeso não dorme adequadamente por dificuldade respiratória, deixa de sair do domicílio e de caminhar, fica deprimido e morre. A obesidade afeta o organismo como um todo e seu tratamento requer atenção multidisciplinar: fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, assistente social e várias especialidades médicas.

Desde os anos 90, as cirurgias para a obesidade são realizadas por videolaparoscopia, através de pequenos orifícios no abdome que representa vantagens estética (cicatrizes menores) , menor índice de complicações (hérnia, infecção, tromboembolismo e insuficiência respiratória) e um retorno mais rápido às atividades - veja a foto. Três são as estratégias cirúrgicas: restritiva, disabsortiva e mista (em que as anteriores são associadas):

Técnica restritiva limita o volume de alimento ingerido. O paciente emagrece comendo menos sólidos e pastosos. Mas, se o paciente não colaborar, diminuindo a ingestão ou ingerindo líquidos calóricos (por exemplo: consumir leite condensado através de canudo), a capacidade gástrica volta a de antes da operação e não ocorrerá a esperada perda de peso. Os procedimentos são mais simples, de menor risco, de mais fácil adaptação e recuperação, mas a perda de peso é menor em 20 a 30% do que com as outras estratégias.

Técnicas disabsortivas possibilitam ingestão alimentar, mas reduzem a absorção dos nutrientes, levando ao emagrecimento, que pode atingir 40% do peso original. Estas operações são conhecidas como "desvios do intestino”: encurtam o trajeto do bolo alimentar, promovem um curto circuito e reduzem a absorção intestinal, mas podem desencadear distúrbios nutricionais.

A cirurgia com influência na absorção pode comprometer também o equilíbrio de água. O hidrato de carbono pode causar diarreia em função das alterações absortivas e os vômitos são comuns em pacientes que não mastigam suficientemente, ou ingerem quantidade maior daquela que o “novo” estômago suporta.

Após a cirurgia, o paciente deverá manter adequada hidratação e fazer seis refeições por dia, em pequenos volumes (90 a 120 g por refeição), atingindo o valor calórico com líquidos nutritivos. As deficiências nutricionais ocorrem nos primeiros 2 anos pós-cirurgia, período de maior perda de peso. A suplementação de vitaminas (A, B, C e D), ferro, cálcio, magnésio e zinco é fundamental e deverá ser monitorada rotineiramente. Polivitamínico pode ser necessário por toda a vida.

A operação elimina ou reduz a gravidade das doenças associadas (diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, esteatohepatite, doença cardiovascular e respiratória) e melhora sobremaneira a qualidade de vida. Nos próximos artigos iremos explicar todas as técnicas de cirurgia bariátrica - clique no link azul e saiba mais sobre a técnica restritiva e disabsortiva e técnica mista.

Este conteúdo é exclusivo do livro Medicina Mitos e Verdades (CarlaLeonel) – Editora CIP. Proibida a reprodução total ou parcial sem citar a fonte com o link. Médico responsável pelo capítulo de gastroenterologia Prof. Dr. Luiz Chether.

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