Qual a diferença entre a radioterapia e a quimioterapia?
Quimioterapia e radioterapia são duas formas de tratamento do câncer que diferem muito entre si e que, muitas vezes, conseguem curar certos tipos de câncer.

A quimioterapia constitui-se na instituição de medicamentos administrados isoladamente ou associados entre si, por via intravenosa (pela veia), cujo objetivo é destruir as células tumorais preservando as células normais. Entretanto, a maioria dessas drogas quimioterápicas atua tanto nas células normais como nas células malignas, advindo desse fato os principais efeitos colaterais.

A radioterapia consiste na instituição de radiação (ionizante) por uma máquina específica, direcionada  ao tumor ou à região acometida, com o objetivo de destruir as células malignas. Assim como a quimioterapia, a radioterapia também lesa as células normais. Entretanto, neste caso, os efeitos colaterais se restringem ao órgão ou à estrutura que está sendo irradiada. A radioterapia é indicada quando se deseja tratar apenas o local para onde é dirigida a irradiação. Ela pode ter intenções curativas quando o tumor é localizado e sensível a este tipo de tratamento, como, por exemplo, nos casos de linfoma de Hodgkin (câncer que se origina nos gânglios do sistema linfático).

A radioterapia também pode ser utilizada em caráter paliativo, com objetivo de diminuir a dor em alguns tipos de metástase, como nos casos de metástase óssea de qualquer tipo de tumor. Já a quimioterapia é indicada, em geral, quando a doença não se restringe a apenas um local.

Quais os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia? Quais as células mais atingidas?
A quimioterapia atua de forma intensa nas células que se proliferam rapidamente, tanto as tumorais como atinge também alguns tipos de células normais. As células da pele, mucosa, glóbulos vermelhos, plaquetas, glóbulos brancos (leucócitos), germinativas (que dão origem aos espermatozoides e óvulos) são alguns exemplos. Alguns dos efeitos colaterais da quimioterapia advém destas células serem atingida provocando:
• Alopecia (queda de cabelos),
• Mucosite (aftas),
• Diarreia,
• Predisposição à infecções (diminuição dos leucócitos),
Anemia (diminuição dos glóbulos vermelhos),
• Maior risco de sangramento (diminuição das plaquetas do sangue),
• Esterilidade (destruição das células germinativas).

Existe forma de evitar esses efeitos colaterais?
Atualmente, a oncologia dispõe de novas medicações, que fazem com que muitos dos efeitos colaterais decorrentes da quimioterapia fiquem amenos ou, praticamente, não existam. Hoje, consegue-se minimizar de forma importante os efeitos de náuseas e vômitos decorrentes da quimioterapia por meio de medicações potentes de última geração. Consegue-se, ainda, diminuir o risco de infecções e anemia, usando remédios preventivamente para esse fim. Vale ressaltar que esses efeitos colaterais decorrentes da quimioterapia desaparecem uma vez terminado o tratamento, com exceção, em alguns casos, no que se refere a esterilidade. Pacientes que desejam engravidar devem discutir com seu médico a possibilidade de recorrer à técnica de congelamento de espermatozoides (homens) e óvulos (mulheres) antes de iniciar o tratamento quimioterápico para uso futuro em fertilização assistida.

Os efeitos colaterais da quimioterapia são mais fortes que os da radioterapia?
Os efeitos colaterais da quimioterapia podem ser mais intensos ou menos intensos que os da radioterapia dependendo do tipo, local, intensidade e duração do tratamento empregado. Por exemplo, uma radioterapia para um tumor localizado na coxa da perna tem muito menos efeitos colaterais do que a radioterapia para um tumor de pulmão. Uma quimioterapia para leucemia é muito tóxica, enquanto a quimioterapia para câncer de intestino é bem tolerada.

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Conteúdo do livro MEDICINA — MITOS & VERDADES (Carla Leonel )  Capítulo de oncologia. Médico responsável Dr. Rene Gansl (Médico oncologista do Hospital Israelita Albert. Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte com o link.

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