O câncer colorretal (CCR) ocupa a terceira posição nas estatísticas mundiais de incidência de doenças malignas, com aproximadamente 1.200.000 casos por ano, atrás apenas do câncer de pulmão e mama. Nos países desenvolvidos, o câncer colorretal já ocupa o primeiro lugar dentre as causas de neoplasia, quando analisados ambos os sexos. Nos Estados Unidos, em 2010, são estimados mais de 142.000 casos e mais de 51.000 óbitos relacionados à doença. No mesmo ano, no Brasil, o registro é de aproximadamente 28.000 casos, sendo o quarto câncer mais frequente nos homens e o terceiro em mulheres, conforme último levantamento publicado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Agora, especialistas apresentam as mudanças na sobrevida dos pacientes nas últimas duas décadas e um novo panorama de sobrevida para pacientes com câncer colorretal que possuem quadro de metástases hepáticas (fígado). “O prognóstico da doença passa de fatal a crônico e os pacientes que antes tinham a perspectiva de meses, até um ano de vida, passam a ter sobrevida estimada em até 5 a10 anos”, explica Paulo Herman, responsável pela Cirurgia de Fígado na Disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Departamento de Gastroenterologia da USP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Este novo paradigma, segundo o pesquisador, está ligado a aspectos multifatoriais que incluem a melhora dos exames pré-operatórios de radiologia, responsáveis por avaliar a extensão dos danos no organismo; ao aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas e às novas drogas para quimioterapia. “No passado, a cirurgia hepática era de grande porte, com complicações, risco de morbidade e mortalidade, então, os pacientes candidatos a operar eram apenas aqueles com poucos nódulos, com possibilidade de ressecção. Com a abordagem multidisciplinar que se emprega hoje, a sobrevida pós-procedimento passou de 30% para mais de 50%”.

Por se tratar de metástase, Herman esclarece que esta é a única indicação de ressecção dentre os carcinomas do aparelho digestivo. Para os especialistas poder ressecar o fígado representa um grande avanço, visto que metástases de órgãos como pâncreas ou estômago são considerados inoperáveis, pois a chance de sobrevida é zero. Segundo Herman, o tratamento multimodal e a utilização da experiência de diversas especialidades médicas, por meio de equipes multiprofissionais, a exemplo de como é feito no HCFMUSP e ICESP, permitiram que o tratamento das metástases hepáticas de câncer colorretal (MHCCR) se aproximasse cada vez mais do tratamento ideal, ou seja, individualizado. Geralmente, após o tratamento do tumor de cólon e reto, mais de 25% dos pacientes evolui com metástase. “Isso significa que mais da metade dos pacientes que tem câncer colorretal, apresentarão metástase e, agora, podemos dar a eles uma nova perspectiva de vida”, conclui Herman.

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