Segundo o Prof. Dr. Ivo Pitanguy, autor do capítulo de cirurgia plástica do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel), a lipoaspiração é um método que não deve ser utilizado para o tratamento da obesidade. Ela pode ser empregada para o tratamento de gorduras localizadas ou como complemento de outras cirurgias, como no caso de facelifting (ou seja, a lipoaspiração da papada seguida do facelifting) ou abdominoplastia (lipoaspiração do abdome seguida da cirurgia plástica).

A lipoaspiração isolada é indicada apenas no caso de gorduras localizadas, para pacientes jovens ou com boa elasticidade de pele. Se a pele é flácida, com a lipoaspiração, essa flacidez se acentuará, necessitando de um tratamento cirúrgico que corrija tanto a lipodistrofia quanto a flacidez cutânea.

O tratamento da obesidade é essencialmente multidisciplinar, ou seja, necessita da atuação de vários profissionais: clínico geral, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, fisiatra e cirurgião plástico, que darão todo o suporte para a obtenção de um resultado satisfatório. “A obesidade é uma doença que deve ser tratada”, enfatiza Pitanguy. Considera-se uma pessoa obesa quando ela apresenta 20% a 30% acima do peso padrão. Esse padrão era antigamente calculado pela relação peso/altura. Hoje, tem uma classificação precisa, calculando-se o índice de massa corpórea. Atualmente, fala-se de biotipo, que pode ser:
• Ginecoide: cintura fina, quadril grande, coxa grande, entre outras características;
• Androide: pouco desenvolvimento glúteo, mamas hipertrofiadas, lipodistrofia localizada principalmente no abdome, membros superiores e inferiores delgados.

“Quanto à barriga, devemos levar em consideração que os tecidos que compõem a parede abdominal  (pele, gordura, fáscia e músculos) podem sofrer uma variedade de alterações que resultam em distúrbios de ordem funcional e estética. Essas alterações podem se apresentar isoladamente ou, o que é mais frequente, associadas. Nas pessoas obesas ocorre uma distensão progressiva da parede abdominal, com consequente aparecimento de estrias e diástase muscular (afastamento dos músculos reto abdominais). O aumento de peso abdominal, além de acarretar na coluna vertebral uma lordose compensatória, interfere significativamente no contorno corporal”, explica o Prof. Pitanguy.

Para pacientes que apresentam o chamado abdome em avental ou em pêndulo, a abdominoplastia será um procedimento indicado, não somente para diminuir o desconforto físico como também para eliminar as frequentes dermatoses — alterações cutâneas decorrentes do contínuo contato entre regiões da pele (por exemplo, a pele do abdome em contato com a pele do púbis), que por fricção levam à irritabilidade cutânea, coceira e, consequentemente, a lacerações crônicas da pele. Nesses casos, podemos realizar a dermolipectomia (retirada da pele e do tecido gorduroso) abdominal com descolamento limitado na área a ser ressecada, objetivando minimizar as complicações, principalmente a formação de coleções serosanguinolentas.

“Adotamos a técnica clássica de abdominoplastia, que prescrevemos para a correção das deformidades pós-emagrecimento, de acordo com a especificidade de cada caso. Esse procedimento, muitas vezes, motiva o paciente para que continue com seu programa de emagrecimento e de atividade esportiva no pós-operatório, possibilitando, quando necessário, a realização posterior de outras intervenções cirúrgicas”, esclarece o médico.  Flutuações ou perda excessiva de peso, cirurgias abdominais repetidas e cicatrizes aderentes ou retraídas, por vezes acompanhadas de hérnia, levam também a alterações do contorno abdominal. Múltiplas gestações podem causar o enfraquecimento e a diástase (afastamento) dos músculos abdominais, tornando evidente uma flacidez de pele infraumbilical, com presença de estrias.

A abdominoplastia é indicada para os casos de flacidez muscular associada à flacidez de pele de média ou grande intensidade. Quando ela é pouco evidente e com pouca presença de gordura, exercícios físicos e alimentação equilibrada podem corrigir o problema. A abordagem da técnica é feita através de uma incisão que geralmente acompanha a dobra natural do abdome. Os músculos retoabdominais são tratados com uma sutura forte, chamada de plicatura, e o excesso de pele e de tecido adiposo infraumbilical é retirado. Reposiciona-se o umbigo e realiza-se a sutura. Quando indicada, essa técnica pode ser associada à lipoaspiração de flancos (região lateral do tórax).

Outro procedimento, chamado de miniabdominoplastia, pode ser indicado para pacientes que apresentam flacidez muscular associada à gordura localizada nos flancos e na região supraumbilical, e pouca flacidez de pele. A gordura presente nas regiões acima citadas é lipoaspirada. Os músculos retoabdominais são reaproximados, retira-se o excesso de pele e realiza-se a sutura sem que seja necessário extrair o umbigo.

Quanto à gordura localizada nos membros superiores e inferiores (braços, coxas, joelhos, culotes) e na região glútea, ela pode ser retirada pela lipoaspiração. Quando, além da gordura, há excesso de pele, é indicada a dermolipectomia, ou seja, a retirada, no mesmo tempo cirúrgico, da pele e do tecido gorduroso. Esse tipo de procedimento resulta em cicatrizes posicionais nos sulcos (dobras) naturais da pele, no sentido de ficarem menos visíveis.

Concluindo, a cirurgia plástica é sempre válida nos casos de obesidade pois pode motivar o paciente a adquirir uma alimentação equilibrada e a habituar-se à prática de atividades esportivas, permitindo a manutenção do peso ideal.

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Prof. Dr. Ivo Pitanguy é autor do capítulo de cirurgia plástica do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel).


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