FOI MORDIDO POR UM CACHORRO?

Raiva, também denominada hidrofobia, é doença infecciosa aguda de mamíferos, especialmente carnívoros, caracterizada por dano no sistema nervoso central (cérebro), que ocasiona paralisia e morte. É causada por vírus frequentemente presente na saliva dos animais infectados, que transmitem o agente responsável pela enfermidade ao homem e a outros animais através de mordeduras. A raiva também pode ser adquirida pela exposição de mucosas ou pele lesada e a saliva contaminante.

Cães raivosos ainda representam o maior risco. Nos Estados Unidos da América, onde a vacinação controlava em grande parte a virose canina, mordeduras de animais selvagens infectados propiciaram a maior parte dos danos da raiva humana, desde 1960.

Nos cães, a raiva pode ser de forma furiosa, na qual há agitação, indocilidade, paralisia e morte, ou silenciosa, com predomínio da paralisia. O período de incubação, no homem, varia de 10 dias a 1 ano, mas a média é de 30 a 50 dias. Geralmente é menor, em pacientes com mordeduras extensas ou próximas da cabeça ou tronco.

Segundo o Prof. Dr. Vicente Amato Neto, autor do capítulo de infectologia do nosso livro Medicina, Mitos e Verdades (Carla Leonel), dos sintomas da raiva fazem parte depressão mental, inquietação, mal-estar, febre, salivação excessiva, espasmos dolorosos facilmente desencadeados e hidrofobia. A morte por asfixia, exaustão ou paralisia geral ocorria, anteriormente, dentro de 3 a 10 dias. Contudo, com os cuidados de suporte mais modernos, os doentes chegam a sobreviver durante muito mais tempo. A reação de imunofluorescência e o isolamento do vírus, substituíram o exame do cérebro do animal, pela procura de corpúsculos de Negri como método de escolha para o diagnóstico.

Em pessoas, a suspeita de raiva é sugerida por história de mordedura de animal, e é imprescindível reconhecer bem as manifestações clínicas, tais como, encefalite (inflamação do encéfalo) severa progressiva e paralisia ascendente com encefalite.

A profilaxia se refere a pós-exposição. Cuidar do local do ferimento, com medidas apropriadas, tais como limpeza imediata e completa com sabão e água corrente. Cauterização ou sutura não são recomendados. Convém procurar rapidamente serviço que atende emergências ou unidades básicas de saúde. Nestes locais haverá orientação correta e recursos de prevenção (imunoglobulina anti-rábica; soro anti-rábico equino, vacinas). O atendimento leva em conta a espécie do animal, as condições no momento do ataque e o tratamento cabível para o exposto.

Antes de eventual exposição, as pessoas que em função de suas atividades ou circunstâncias correm alto risco de adquirir raiva, obrigatoriamente devem receber vacinação. Veterinários, espeleologistas são considerados grupos de risco. Depois da vacinação, torna-se imperioso avaliar a efetividade por prova sorológica. A vacinação pré-exposição confere maior proteção e reduz o esquema pós-exposição, porém, não elimina a obrigatoriedade de profilaxia imediata pós-exposição.

A raiva é inexoravelmente fatal. O tratamento a instituir é sintomático e de suporte vigoroso. De acordo com relatos apresentados em revistas científicas, pouquíssimos acometidos não morrerão, mesmo havendo suporte agressivo e vigoroso para controlar os distúrbios respiratórios, circulatórios e do sistema nervoso central.

O controle da raiva deve ser visto com especial atenção devido a gravidade da doença. Como proceder ao controle: confinamento dos cães e captura de cães vadios. Quanto aos ambientes selvagens é mais difícil e cabe ao homem se precaver da exposição. É necessário e primordial a ampla vacinação da população canina.

Todos os direitos reservados. Proibida reprodução total ou parcial deste artigo e/ou imagem sem citar a fonte com o link ativo. Direitos autorais protegidos pela lei.