A história típica de uma “crise” de gota é um homem relatando que foi dormir muito bem e acordou de madrugada com uma dor muito forte no dedão do pé, que piorava até com o roçar do lençol: “Doutor, eu pensei que tinha quebrado o pé ou que tinha alguém enfiando uma agulha no lado do meu dedão”. Em todos os casos, o local da dor fica quente e vermelho, mostrando uma forte inflamação. Enquanto a inflamação persiste, o paciente tem grande dificuldade de locomover-se.  Este é o sintoma mais comum: uma inflamação aguda na região lateral do dedão do pé, chamada podagra, ou no joelho, denominada gonagra. A gota é uma doença muito comum, causada pelo acúmulo de ácido úrico na forma de um sal denominado urato de sódio, em várias regiões do corpo, mas, principalmente, nas articulações. Essa doença predomina em homens, sendo rara em mulheres.  Nas pessoas sem a doença, o ácido úrico é produzido, normalmente, em várias células do corpo, enviado para a circulação sanguínea, filtrado e excretado pelos rins através da urina.

O aumento dos níveis de ácido úrico e sua deposição nas juntas e em outros locais pode ocorrer por dois motivos:
• O paciente produz uma quantidade tão grande de ácido úrico que o rim, por mais que trabalhe, não consegue excretar o suficiente na urina para manter os níveis normais no sangue (hiperprodutor);
• O paciente produz o ácido úrico normalmente, mas o rim trabalha pouco e não excreta a quantidade que deveria excretar normalmente (hipoexcretor).

A gota também é classificada em primária ou secundária:
• Gota primária: quando o aumento de acido úrico tem origem hereditária;
• Gota secundária: quando o aumento do ácido úrico tem como causa uma doença ou seu tratamento (leucemias, linfomas), ingestão aumentada e frequente de álcool ou medicações que dificultam a excreção renal do ácido úrico (como a aspirina em doses pequenas para analgesia), e um tipo de diurético, chamado diurético tiazídico.

O Prof. Dr. Cristiano Zerbini, autor do capítulo de reumatologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel), esclarece ainda que além de crises agudas de dor, o paciente pode contar história de já ter tido “pedras nos rins”. Estas pedras, que chamamos de cálculos renais, nada mais são que acúmulos de urato de sódio que foram produzidos e armazenados no rim e vias urinárias. Quando o cálculo renal se movimenta, pode causar ferimento nas vias urinárias, com dor intensa (uma das piores dores da medicina) e ser acompanhado de hematúria (sangue na urina). Outros acúmulos de urato de sódio podem ser encontrados em mãos, cotovelos, pés e orelhas, sendo denominados tofos. Com os tratamentos atuais e o seguimento da prescrição médica pelo paciente, a presença de tofos ficou mais rara.

A maioria dos pacientes com gota primária são hipoexcretores. A diferenciação entre os tipos de pacientes é importante, pois o tratamento da gota difere entre eles:
• Os hiperprodutores e aqueles com história de cálculos renais são tratados com um remédio potente, denominado alopurinol;
• Os hipoexcretores são tratados com medicações que ajudam o rim a excretar melhor o ácido úrico.

Em relação a restrição alimentar, antigamente, quando não existiam medicamentos eficazes, ela era muito utilizada no tratamento da gota, sendo evitados os alimentos ricos em purinas, tais como carne de vitela, miúdos de frango, camarões, mariscos, tomate e outros. Assim, os pacientes evitavam alimentos ricos em proteínas e passavam a ingerir maior quantidade de carboidratos. Além de ficarem obesos, a restrição alimentar era pouco eficiente na diminuição das crises de gota. Atualmente, recomendamos ao paciente que apenas evite alimentos que ele sabe, por experiência anterior, que possam disparar uma crise de gota. Não há necessidade de uma restrição alimentar geral, como era feita antigamente. Com o seguimento disciplinado da prescrição médica, os pacientes podem ter uma vida normal e livre de crises inflamatórias e cólicas renais.

Este conteúdo é exclusivo do capítulo de Reumatologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). Médico responsável Prof. Dr. Cristiano Zerbini, Coordenador do Núcleo Avançado de Reumatologia do Hospital Sírio Libanês e Diretor do Centro Paulista de Investigações Clínicas. Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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