Retinopatia significa lesões na retina, não inflamatórias, decorrentes de alguma doença. A retina tem a função de receber ondas de luz e convertê-las em impulsos nervosos que são transmitidos para o cérebro, permitindo, dessa forma, enxergar.  Portanto, pacientes com retinopatia apresentam perda da visão. O tipo de retinopatia mais comum é a diabética e a causada pela hipertensão arterial, chamada de retinopatia hipertensiva.

Em ambas as situações, são causadas por alterações nos vasos sanguíneos da retina. Na retinopatia diabética, o excesso de glicose no sangue danifica os vasos sanguíneos. Já abordamos este tema na matéria As principais complicações do diabetes – clique no link azul para ler. Na retinopatia hipertensiva, as alterações vasculares da hipertensão arterial (conhecida, popularmente, como pressão alta) interferem da mesma forma nos vasos sanguíneos que irrigam os olhos e é o que vamos tratar neste artigo com o oftalmologista Prof. Dr. Rubens Belfort Jr.

RETINOPATIA HIPERTENSIVA

Toda pessoa portadora de pressão alta deve visitar o oftalmologista para prevenção e controle da retinopatia hipertensiva. Esta doença pode afetar os olhos e comprometer a visão. Tanto a retina como o nervo óptico pode ser acometido e causar baixa de visão nestes pacientes.

As alterações nas veias dos olhos causadas por portadores de pressão alta, dependem da rapidez de instalação da hipertensão arterial, tempo e duração da doença assim como a idade do paciente.  Essas alterações nos vasos da retina ocorrem de forma semelhante às alterações que surgem nos rins, cérebro e outros órgãos também por consequência da hipertensão arterial.

Por sorte, nos olhos, a realização de um simples exame oftalmológico já permite que o especialista observe esses vasos determinando a gravidade da doença. Este é o chamado exame do fundo de olho direto e/ou indireto realizado mediante a dilatação da pupila. É importante não apenas para diagnóstico, mas também como parâmetro de prognóstico. Vale esclarecer que no início o paciente não sente alteração na visão, até a retina estar comprometida, quando é mais difícil tratar e impedir perda da visão.

Classificamos as alterações vasculares da retina decorrentes da hipertensão arterial como arterioscleróticas ou hipertensivas. Tais prejuízos são basicamente decorrentes da vasoconstrição e modificações estruturais na camada muscular e íntima dos vasos mais finos – veja a ilustração.

Alterações arteriosclerótica da retina

As alterações arterioscleróticas ocorrem de maneira lenta e gradual, geralmente ao longo dos anos. No exame de fundo de olho o médico observa:
• Mudança no reflexo arteriolar (chamadas artérias em “fio de cobre” ou “fio de prata”),
• Cruzamentos patológicos arteriovenosos (chamados “sinal de Gunn” e “sinal de Salus”),
• Dilatação e tortuosidade dos vasos,
• Embainhamento dos vasos,
• Alteração da permeabilidade vascular da retina resultando na formação de exsudatos duros (formados por lipídeos e lipoproteínas).

Alterações hipertensivas da retina

As alterações classificadas como hipertensivas estão relacionadas a modificações que podem surgir com certa rapidez, sendo causadas pela doença da hipertensão “sair do controle”. No exame oftalmológico o médico observa alterações como:
• Espasmo ou estreitamento arteriolar,
• Manchas algodonosas,
• Hemorragias superficiais (“chama de vela”) ou profundas (puntiformes, arredondadas),
• Edema de papila

Outra causa de baixa de visão em pacientes com hipertensão arterial é decorrente do acometimento da mácula, por microsangramentos ou edema (inchaço). A mácula é região da retina responsável pela visão de detalhes. Essas alterações (sangramento e edema) não são observadas do lado de fora do olho do paciente, apenas pelo exame de fundo de olho e podem ser confirmadas por exames como angiofluoresceinografia e OCT (tomografia de coerência óptica).

Pacientes hipertensos também podem apresentar baixa de visão por quadros de oclusão das veias da retina. Como a parede desses vasos é alterada pela doença, aumenta a chance do fluxo sanguíneo ser interrompido e o vaso “entupir” (aneurisma). Tais oclusões podem acometer vasos centrais da retina ou ramos, responsáveis pela irrigação de áreas mais afastadas do centro da visão. Dependendo da região acometida o paciente vai apresentar perda de visão.

TRATAMENTO DA RETINOPATIA HIPERTENSIVA

Ainda não existe cura para a retinopatia hipertensiva mas há como preveni-la, evitar a sua evolução e em alguns casos recuperar parte do dano. Todo paciente com pressão alta deve realizar um exame de fundo do olho no momento do diagnóstico e investigar a existência de outras doenças associadas como glaucoma, por exemplo, que ameaça a visão – clique no link azul e leia o artigo completo sobre Glaucoma

Manter os níveis da pressão arterial controlado pode evitar ou controlar melhor a doença. Nos casos das oclusões arteriais ou venosas na retina existem condutas específicas para cada caso sendo necessária uma avaliação detalhada, muitas vezes associada a exames complementares.

Veja na ilustração a diferença da retina normal e com retinopatia hipertensiva e conheça a definição das estruturas dos olhos citada neste artigo:

• Retina: tem a função de receber ondas de luz e convertê-las em impulsos nervosos que são captados pelo cérebro e transformados em imagens.

• Fóvea: região localizada no eixo óptico da retina, onde há maior nitidez da visão. A luz atinge as células receptoras diretamente, sem ter que passar pelas outras camadas da retina permitindo, desta forma, a nitidez das imagens. Esta área tem grande irrigação de sangue através das células crônicas.

• Mácula: ponto central da retina. É a região que distingue detalhes no meio do campo visual

• Nervo óptico: estrutura formada pelos prolongamentos das células nervosas que formam a retina. Transmite a imagem capturada pela retina para o cérebro.

• Papila: a papila corresponde ao ponto em que o nervo óptico se continua com a retina, enquanto que a mácula representa o ponto mais sensível de toda a retina..

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As principais doenças que afetam a visão após os 40 anos de idade
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