Por influências sociais e culturais, nota-se em certas populações preferência por uma determinada técnica anestésica. Os brasileiros têm receio da anestesia geral e aceitam melhor as técnicas regionais. Já americanos e europeus preferem a anestesia geral. Em diversos casos, os pacientes preferem a anestesia geral a qualquer outro tipo de técnica anestésica porque não querem experimentar qualquer desconforto, não querem ver o que está acontecendo, querem ir e voltar dormindo do centro cirúrgico. Há outros que têm mais receio da ocorrência de alguma sequela neurológica, que possa vir a ser mais facilmente provocada pela anestesia peridural ou raqui.

Os anestésicos alteram transitoriamente a atividade do tecido nervoso, buscando eliminar a percepção dolorosa (analgesia). Com esses agentes farmacológicos busca-se, entre outros objetivos, a abolição da consciência, o relaxamento muscular e a diminuição dos reflexos causados pelo trauma cirúrgico. Explica-se: durante a cirurgia o organismo, por si só, tenta se defender do trauma e reage com reflexos espontâneos tais como:

  Contração muscular e vasoconstrição, no sentido de diminuir o sangramento na região afetada se, eventualmente, o trauma for acompanhado de hemorragia;

• Ocorre o aumento da pressão arterial, aumento da frequência e amplitude da respiração, e uma série de respostas endócrinas. Várias glândulas são ativadas no sentido de reagir contra a agressão. As consequências metabólicas da agressão podem ser expressivas. Há um aumento da quantidade de glicose na circulação a fim de fornecer mais energia ao indivíduo agredido. Ocorre também retenção de líquidos no organismo, no sentido de protegê-lo contra desidratação.

“Todas essas respostas desencadeadas pela intervenção cirúrgica objetivam defender o organismo. Entretanto, se forem mantidas por muito tempo, acabam trazendo prejuízos ao organismo. Os anestésicos e as técnicas de anestesia são dirigidas no sentido de abolir essas respostas, para evitar complicações”, explica o Prof. José Luiz Gomes do Amaral, Prof. Titular da Disciplina de Anestesiologia, Dor e Terapia Intensiva da UNIFESP e autor do capítulo de anestesiologia do livro Medicina, Mitos e Verdades (Carla Leonel).

O anestesiologista explica ainda, que durante as anestesias, existem as reações previsíveis que são, geralmente, dependentes da dose administrada (excessiva ou insuficiente). Por exemplo, ao se administrar dose excessiva pode-se provocar a hipotensão arterial aguda com comprometimento do fluxo de sangue para uma série de órgãos, em particular o cérebro e ao coração. Se não houver intervenção rápida, o paciente pode ser levado a uma parada cardíaca ou a uma sequela neurológica. Muitos efeitos adversos são inevitáveis e fazem parte das características dos agentes administrados — prurido e depressão respiratória após ingestão de morfina, por exemplo.

• Quanto a ocorrência de complicações secundárias, é muito difícil acontecer, e está relacionadas a erro na via de administração, como no caso de anestésicos locais acidentalmente injetados na circulação, induzindo convulsões.

• Embora sejam eventualidades extremamente raras, com as anestesias peridural e raqui podem acontecer sequelas neurológicas de diversos níveis. Ao injetar-se um anestésico junto ou próximo ao nervo, a agulha pode ocasionar um trauma nervoso ou lesar alguns vasos sanguíneos. Com a anestesia peridural podem ocorrer lesão nervosa,  hematoma que comprima o tecido nervoso ou uma infecção no local da injeção. E com a anestesia local, o próprio anestésico local pode, eventualmente, estar associado a algum tipo de toxicidade.

• Já a sedação interfere em funções orgânicas vitais em intensidade nem sempre previsível. Assim, a sedação, seja leve ou profunda, requer supervisão por anestesiologista qualificado e monitorização em muitos aspectos tão extensa quanto a utilizada em anestesia geral.

• Em relação aos agentes anestésicos ou sedativo para induzir a hipnose (fazer o paciente dormir), muitos deles podem provocar uma depressão respiratória intensa. À medida em que o sistema nervoso é deprimido, ocorre perda do controle de funções essenciais à vida e a inibição dos reflexos que protegem as vias aéreas (como a tosse). Cabe ao anestesiologista suprir essas funções e zelar pela integridade dos diferentes órgãos. Neste sentido podemos dizer que a anestesia geral é a mais segura já que o paciente está intubado e a intubação visa impedir a obstrução das vias aéreas e garantir a ventilação pulmonar artificialmente, evitando assim as consequências e sequelas causadas pela depressão respiratória. Todas suas funções vitais estão sendo monitoradas e qualquer complicação pode ser revertida rapidamente.

Nas anestesias, independente da técnica utilizada, as complicações a se evitar no decurso de intervenções cirúrgicas são: hipotensão ou hipertensão arterial, taquicardia, bradicardia (batimentos cardíacos acima de 100 ou abaixo de 60/minuto), ou outras arritmias cardíacas, obstrução das vias aéreas, alteração da ventilação pulmonar ou da oxigenação, náuseas, vômitos, regurgitação, aspiração do conteúdo gástrico, hemorragia, febre ou hipotermia, reações alérgicas e outras.

• Atualmente, com os modernos anestésicos, sistemas de administração de anestesia e monitorização de funções vitais, a anestesia atualmente, representa proteção e não risco adicional. Hoje, já é possível tranquilizar o paciente quanto ao medo de dormir e oferecer-lhe a expectativa de um despertar seguro.

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Prof. Dr. José Luiz Gomes do Amaral é Prof. Titular da Disciplina de Anestesiologia, Dor e Terapia Intensiva da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); Ex-Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) por dois mandatos (2005-2008/2008-2011); Presidente da Associação Médica Mundial — entidade que congrega 97 países, representando 9 milhões de médicos e autor do capítulo de anestesiologia do livro MEDICINA MITOS E VERDADES (Carla Leonel). Artigo do livro. Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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