Nos artigos anteriores explicamos o que é o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), as possíveis causas que provocam este transtorno e o que acontece no funcionamento cerebral que faz desencadear o TOC. Basta clicar nos links e ler.  Nesta matéria daremos dezenas de exemplos de obsessões e compulsões que incluem muitos hábitos comuns que, de vez em quando, são vistos na vida de quase todas as pessoas. Portanto, é importante saber diferenciar o que é TOC, da personalidade de cada indivíduo. Um pensamento ou comportamento só é considerado obsessão ou compulsão se não puder parar com ele, se interferir na vida de maneira importante e, ainda, se perder muito tempo lutando contra ele.

OBSESSÕES DE CONTAMINAÇÃO E COMPULSÕES DE LIMPEZA

• Medo de pegar germes sentando em determinada cadeira, cumprimentando alguém, tocando alguém, pegando em maçanetas;
• Medo de entrar em contato com excrementos ou secreções do corpo, como vômito, urina, fezes, sêmen, suor, secreção vaginal (de si próprio ou de outra pessoa);
• Medo de ser contaminado por substâncias radioativas, medo de coisas associadas com cidades contendo lixo atômico. Medo de ser contaminado por poluição;
• Ter compulsões que envolvem limpeza excessiva de móveis da casa ou de objetos inanimados (brinquedos, roupas, material escolar, enfeites, utensílios domésticos etc.);
• Nojo de fitas adesivas ou substâncias pegajosas que possam conter ou não contaminação;
• Medo de ficar doente como um resultado direto de ser contaminado, pode incluir doenças específicas como AIDS, câncer;
• Necessidade de lavar repetidamente as mãos por causa de preocupações com sujeira ou germes, ou porque não sente que suas mãos estão limpas o suficiente. O ritual pode envolver a necessidade de lavar as mãos um certo número de vezes ou ter de lavá-las de uma maneira específica;
• Medo de ser contaminado por insetos ou animais;
• Preocupação ou medo de ser contaminado por torneiras, vasos sanitários, pisos, utensílios de cozinha, produtos de limpeza e solvente. Além disso, sentir nojo da ideia de entrar em contato com qualquer um destes itens;
• As atividades de higiene no banheiro podem precisar ser realizadas de acordo com uma ordem específica;
• Tomar medidas para prevenir ou evitar/remover o contato com substâncias que podem causar contaminação. Evitar fazer certas coisas ou ir a certos lugares por causa das preocupações com contaminação. Pedir para membros da família que removam inseticidas, lixo, lata de gasolina etc. Pedir para as pessoas abrirem portas, ou usar luvas. Não utilizar banheiros públicos, não usar toalhas de mão de hotéis ou apertar as mãos de outras pessoas.
• Rituais mentais (compulsões que você faz “na sua cabeça”) que tenham a ver com contaminação e limpeza;

OBSESSÕES E COMPULSÕES DE COLECIONISMO

• Medo de jogar coisas fora (papéis, documentos, recibos etc.) pela possibilidade de precisar delas no futuro;
• Manter muitas coisas guardadas por seus valores sentimentais, ou por causa de uma necessidade incontrolável de colecionar as coisas;
• Preocupações sobre perder um objeto insignificante ou sem importância como um pedaço de papel;
• Pegar objetos sem nenhuma razão em especial e guardar porque não conseguiu decidir se deve ou não jogar fora;
• Ter quartos cheios de jornais velhos, anotações, latas, toalhas de papel, embalagens e garrafas vazias. Não conseguir jogar essas coisas fora por medo de ter que precisar delas algum dia;
• Evitar certas ações, pessoas, lugares ou coisas para prevenir compulsões de colecionismo. Não passar por certas lojas ou supermercados, ou não ler o jornal, pedir a outra pessoa para limpar seu armário e/ou jogar suas coisas fora.
• Ter rituais mentais (compulsão que você “faz na sua cabeça”) relacionados ao colecionismo;

OBSESSÕES E COMPULSÕES DE SIMETRIA, ORDEM, CONTAGEM E ARRANJO

• Ter preocupação ou sentimentos desconfortáveis sobre alinhamento de papéis e livros, preocupação com a realização de cálculos, com a necessidade de fazê-los corretamente ou necessidade de escrever de forma perfeita;
• Ficar extremamente preocupado se certas sensações, pensamentos ou coisas não estão simétricas;
• Verificar repetidas vezes enquanto lê, escreve ou faz simples cálculos para certificar-se de que não cometeu um erro. Isso pode envolver fazer listas de coisas para fazer, assim como checá-las obsessivamente;
• Levar horas para ler poucas páginas de um livro ou para escrever uma pequena carta porque fica lendo e relendo. Isso pode também envolver a procura por uma palavra ou frase “perfeita”, ou preocupar-se por não ter realmente entendido o significado do que leu, ou ficar preocupado com o formato de algumas letras;
• Necessidade de entrar/sair de casa várias vezes; sentar/levantar várias vezes de uma cadeira. Repetir atividades rotineiras como ligar e desligar aparelhos, colocar e tirar um objeto da mesa, pentear o cabelo ou olhar para determinado local. Pode não se sentir bem até fazer essas coisas um determinado número de vezes, ou até que uma certa sensação de simetria seja alcançada;
• Necessidade de contar coisas como azulejos, pisos, brinquedos, janelas, telhas, pregos na parede, livros em uma estante ou até mesmo grãos de areia na praia;
• Necessidade de endireitar papéis ou canetas sobre a mesa ou livros na estante. Pode gastar horas arrumando as coisas na sua casa em uma determinada “ordem”, ficando muito chateado se esta “ordem” é alterada;
• Ter compulsão após tocar ou fazer algo no lado direito, precisar tocar ou fazer a mesma coisa no lado esquerdo;
• Necessidade de tocar, esfregar ou dar pancadinhas. Sentir o impulso de tocar superfícies ásperas como madeira ou superfícies quentes, como o fogão. Sentir o impulso de tocar outras pessoas, ou de tocar um objeto. Necessidade de esfregar ou pegar algo como o telefone para evitar que alguém da família adoeça;
• Medo de ter dito coisas erradas, preocupação de não encontrar a palavra ou frase perfeita antes de dizer algo ou responder a alguém;
• Evitar certas ações, pessoas, lugares ou coisas para prevenir a ocorrência de obsessões e compulsões sobre simetria ou exatidão. Por exemplo, não olhar para certas coisas na casa porque elas certamente irão desencadear obsessões ou compulsões de ordenação/arranjo ou exatidão.
• Ter rituais mentais (compulsão que você “faz na sua cabeça”), relacionados à obsessões e compulsões de simetria, ordem, contagem e arranjo;

OBSESSÕES SOBRE AGRESSÃO, VIOLÊNCIA, DESASTRES NATURAIS E COMPULSÕES RELACIONADAS

• Medo de ferir a si mesmo com uma faca ou garfo, medo de segurar ou estar perto de objetos pontiagudos, medo de se jogar na frente de um carro ou medo de andar perto de janelas de vidro;
• Medo de ser ferido por não estar sendo suficientemente cuidadoso. Medo de que pessoas ou determinados objetos venham a lhe ferir;
• Ficar procurando por feridas ou sangramentos depois de segurar objetos pontiagudos ou quebráveis, ou checando com médicos ou outros para se reassegurar de que não feriu a si mesmo;
• Medo de envenenar a comida de outras pessoas, medo de ferir bebês, medo de empurrar alguém para a frente de um carro ou de um trem;
• Preocupações de estar evolvido em um acidente de carro, medo de ser responsável por não dar assistência em uma catástrofe imaginada, medo de ferir os sentimentos de alguém, medo de causar ferimentos por dar conselhos/informações erradas;
• Medo de começar um incêndio ou ser responsável por um assassinato ou assalto;
• Verificar se não feriu alguém sem saber. Perguntar aos outros para reassegurar-se, ou telefonar para certificar-se de que tudo está bem;
• Ter imagens de assassinatos ou acidentes ou outras imagens violentas como corpos desmembrados;
• Medo de falar coisas obscenas em um lugar quieto com muitas pessoas em volta (como uma igreja ou sala de aula). Medo de escrever coisas obscenas;
• Medo de tirar as roupas em público ou parecer tolo em situações sociais;
• Medo de apunhalar um amigo, atropelar alguém, bater o carro em uma árvore etc.;
• Procurar nos jornais e noticiários, no rádio ou na televisão, se aconteceu alguma catástrofe que você acredita que possa ter ocasionado. Pedir para que outros lhe reassegurarem de que nada aconteceu;
• Ficar longe de objetos pontiagudos ou quebráveis. Evitar manusear facas, tesouras, vidro;
• Necessidade de realizar a mesma ação repetidas vezes depois de ter tido um “mau” pensamento sobre agressão/ferimentos, com o objetivo de prevenir consequências terríveis;
• Ter rituais mentais (compulsão que você “faz na sua cabeça”) relacionados à obsessões sobre agressão, violência, desastres naturais e compulsões relacionadas.

OBSESSÕES SEXUAIS E RELIGIOSAS E COMPULSÕES RELACIONADAS

• Ter pensamentos sexuais involuntários sobre estranhos, familiares ou amigos;
• Ter pensamentos indesejáveis sobre molestar crianças sexualmente, inclusive os próprios filhos;
• Ter medo de ser homossexual ou medo de, subitamente, "transformar-se em gay", quando não existem razões para estes pensamentos;
• Ter imagens indesejáveis de comportamento sexual violento com adultos estranhos, amigos ou familiares;
• Ficar checando os órgãos genitais, a cama ou roupas para ver se há alguma evidência de ter feito algo errado. Perguntar para se reassegurar de que nada ruim de natureza sexual aconteceu;
• Não ir à uma seção de revistas em uma livraria por causa de algumas fotos ou títulos;
• Ter medo de ter pensamentos blasfemos, dizer sacrilégios, e ser punido por estas coisas;
• Necessidade de realizar a mesma ação repetidas vezes depois te ter um “mau”, pensamento obsessivo sexual ou religioso com o objetivo de prevenir consequências terríveis;
• Ter preocupações sobre estar sempre fazendo coisas de uma maneira moralmente correta ou preocupações sobre ter dito uma mentira ou ter trapaceado alguém;
• Limpar ou checar excessivamente objetos religiosos. Rezar durante várias horas ou procurar por reasseguramentos com líderes religiosos com mais frequência do que a necessária;
• Verificar a Bíblia ou outros objetos. Perguntar ao padre, rabino, pastor ou outras pessoas para se reassegurar de que nada aconteceu;
• Não ir à igreja ou não assistir a certos programas de TV porque podem provocar pensamentos de estar sendo possuído pelo diabo, ou por alguma influência do diabo;
• Perguntar para outras pessoas sobre possíveis coisas erradas que tenha feito, confessar algo errado que não tenha acontecido ou contar às pessoas seus pensamentos íntimos para se sentir melhor;
• Ter medo de dizer algo terrível ou impróprio que possa ser considerado desrespeitoso para alguém vivo ou morto. Algumas pessoas têm medo excessivo de dar conselhos errados;
• Ter rituais mentais (compulsão que você “faz na sua cabeça”) relacionados à obsessões sexuais e religiosas, e compulsões relacionadas.

OBSESSÕES E COMPULSÕES DIVERSAS

• Procurar reassegurar-se com amigos ou médicos de que não tem uma séria doença, como cardiopatias ou um tumor no cérebro ou alguma outra forma de câncer. Checar repetidamente partes do corpo ou tomar o pulso compulsivamente, assim como sua pressão sanguínea ou temperatura;
• Evitar certas ações, pessoas, lugares ou coisas para prevenir a ocorrência de obsessões e compulsões sobres doenças. Não passar por um hospital, porque isto provoca pensamentos sobre doenças;
• Precisar lembrar coisas insignificantes como números de placas de carros, adesivos, “slogans” de camisetas;
• Ter medo de passar por um cemitério, por um carro funerário, por um gato preto, passar debaixo de uma escada, quebrar um espelho ou medo de profecias associadas à morte;
• Não pegar um ônibus ou trem se seu número for um número de azar como o 13. Relutar em sair de casa no dia 13 do mês. Jogar fora roupas que usou quando passou por uma casa funerária ou por um cemitério;
• Preocupações com certos números como o 13, ter de realizar atividades um determinado número mágico de vezes, ou ter de iniciar uma atividade somente em uma hora de sorte do dia. Outro exemplo é evitar números que poderiam trazer azar;
• Ter obsessões e/ou compulsões sobre cores com significado especial. Por exemplo, preto pode ser associado com morte, vermelho pode ser associado com sangue ou ferimentos. Evitar o uso de objetos de uma determinada cor;
• Escutar palavras, canções ou músicas que vem à mente e não consegue pará-las. Ficar preso ao som de certas palavras ou músicas;
• Ter imagens com cenas neutras. Ficar vidrado, fixado em detalhes visuais de certas figuras;
• Evitar certas ações, pessoas, lugares ou coisas para prevenir qualquer uma destas obsessões e compulsões diversas. Por exemplo, não passar por locais com muito barulho ou não escrever certos números;
• Ficar paralisado realizando comportamentos repetitivos, lentificando as ações. Tomar banho, vestir-se ou ir para casa, como atividades que tomam horas do dia. Outros podem ficar "paralisados" comendo ou falando, e estas atividades tomam muito mais tempo do que o necessário;
• Fazer muitas listas de coisas ou atividades;
• Preocupação de que algo terrível pode acontecer a um de seus pais ou filhos ou namorado(a) e que, em decorrência disso, você nunca mais poderá vê-los novamente;
• Ter compulsões ou rituais realizados para prevenir a perda de alguém (ou ser separado de alguém) muito querido. Por exemplo, seguir essa pessoa especial de aposento em aposento, ou telefonar diversas vezes; ter de rezar ou realizar rituais específicos para evitar que coisas más aconteçam a alguém;
• Ter compulsões para se livrar de pensamentos sobre se tornar uma outra pessoa. Por exemplo, "empurrar os pensamentos para longe" ou realizar algum ritual para se livrar destes pensamentos;
• Necessidade de olhar algo até que seus contornos pareçam “estar legais”; ou “ter que” olhar para as coisas de uma determinada maneira, por um determinado tempo;
• Ter necessidade de repetir algo que você ou outra pessoa tenha dito. Pode ser uma determinada palavra que você não consegue tirar da cabeça, ou pode ser o final de uma frase que você acabou de dizer ou ouviu alguém dizer;
• Preocupação com a aparência, segurança ou funcionamento do rosto, orelhas, nariz, olhos ou alguma outra parte do corpo. Preocupação de que uma parte do corpo seja muito feia ou deformada, apesar dos outros afirmarem o contrário;
• Procurar reafirmação sobre a aparência com amigos. Verificar repetidamente se há odores em seu corpo ou verificar a aparência (rosto ou outros pontos do corpo) procurando por aspectos feios. Necessidade de se arrumar continuamente ou comparar alguns aspectos de seu corpo com os do corpo de outra pessoa; você pode ter de vestir certas roupas em determinados dias. Ser obcecado com o peso;
• Ter obsessões sobre comida. Preocupação excessiva com receitas, calorias e/ou dietas;
• Ter obsessões com a necessidade de fazer exercícios para queimar calorias. As compulsões relacionadas incluem exercícios que devem seguir certas regras ou ter uma determinada duração de comer. Ter de comer de acordo com um ritual rígido, ou ter de esperar para comer até que os ponteiros de um relógio estejam marcando uma determinada hora;
• Puxar os cabelos do couro cabeludo, os cílios, a sobrancelha ou os pelos púbicos. Usar os dedos ou pinças para puxar os pelos. Frequentemente, esse comportamento envolve procurar pelo “cabelo certo”, remover o folículo ou morder o cabelo. Causar falhas na cabeça que exijam o uso de uma peruca ou arrancar os cílios e sobrancelhas completamente;
• Cutucar a pele ou outros comportamentos de automutilação (obsessões e compulsões). Cutucar a pele em volta das unhas ou próxima a machucados. Machucar a si mesmo ou piorar os machucados;
• Ter de arranjar/arrumar a comida, faca e garfo em uma determinada ordem.

COMO TRATAR O TOC?

O tratamento envolve o uso de determinadas categorias de antidepressivos em doses geralmente altas e por tempo prolongado. Deve-se associar psicoterapia cognitivo comportamental para uma melhor resposta. Felizmente, na maioria das vezes, essa associação de terapia com medicação consegue atenuar ou eliminar completamente os sintomas. Na prática, principalmente na saúde pública de nosso país, nem sempre os pacientes estão em condições de procurar uma terapia comportamental. Infelizmente, para muitos casos, a medicação poderá ser a única terapia ao alcance do paciente. A psicoeducação, ou seja, treinamento do paciente e/ou familiar para reconhecer os  sintomas, é de fundamental importância e deve ser feita, tanto pelo psiquiatra como por grupos de ajuda mútua.

Matéria publicada no livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) – 8ª edição, capítulo de psiquiatria Prof. Dr. Marco Antonio Marcolin, Psiquiatra Master e Ph.D. University of Illinois at Chicag e Coordenador do Grupo de Estimulação Magnética Transcraniana do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/FMUSP.

Matéria do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel)- 8ª edição. Dra. Alexandrina Maria Augusto da Silva Maleiro. Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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