POSSO DOAR O CORDÃO UMBILICAL DO MEU BEBÊ?

O cordão umbilical, que une o feto à placenta da mãe, é responsável pela nutrição e oxigenação do bebê durante a gestação. Após o parto, ele não é mais necessário para o desenvolvimento da criança e é descartado. Mas você sabia que o sangue que permanece na placenta e na veia umbilical pode salvar vidas? Pois é! O sangue que é descartado pode ajudar quem sofre de doenças hematológicas, como leucemia e mielodisplasias. Clique no link azul e leia mais sobre leucemia

De acordo com o hematologista Dr. Nelson Tatsui, o sangue do cordão umbilical, assim como a medula óssea, é rico em células-mãe, que podem originar diversos tipos de tecidos. “As células-mãe (chamadas também de células-tronco) são células mestras, capazes de criar os componentes principais do sangue humano e do sistema imunológico do corpo. A partir dessas células, formam-se glóbulos vermelhos que levam o oxigênio aos tecidos, glóbulos brancos para combater infecções e plaquetas para a coagulação”, explica. Além do tratamento das leucemias, o material coletado pode ser utilizado para o tratamento de 79 tipos de doenças, como talessemia e linfomas. Outras doenças como Diabetes Tipo 1, doenças neurológicas e, até mesmo, a Aids, são objetos de estudos.

O momento do nascimento é a única oportunidade para a coleta das células-tronco do cordão umbilical, portanto, este procedimento deve ser incluído nos preparativos que antecedem a chegada do bebê. “A retirada do sangue do cordão umbilical deve ser realizada imediatamente após o parto. Depois, as células-tronco são separadas em um laboratório e podem ser armazenadas por muitos anos em tanques refrigerados com nitrogênio, a uma temperatura próxima de -190°C”, diz Tatsui. O processo para retirar o sangue do cordão é indolor e não apresenta nenhum risco para a mãe ou para o bebê.

O hematologista da Criogênesis, Dr. Nelson Tatsui, esclarece os principais questionamentos sobre este tema.

Como é feita a coleta do cordão umbilical?
A coleta é rápida, dura em torno de cinco minutos, e sempre é realizada imediatamente após o nascimento do bebê. A drenagem do sangue do cordão umbilical é feita por meio de uma punção com agulha na veia umbilical e seu acondicionamento se dá em uma bolsa contendo anticoagulante e nutrientes. Todo o processo da coleta deve ser realizado com rigorosa técnica asséptica. O tempo de transporte entre a coleta e o processamento deve ser no máximo de 48 horas.

Onde será guardado o sangue do cordão umbilical?
Atualmente existem duas entidades de armazenamento: banco de sangue privado e banco de sangue público. Nos privados, o sangue do cordão do bebê é armazenado para seu próprio uso ou para utilização de um membro da família em caso de necessidade. Já nos bancos de sangue públicos, a família doará o sangue do cordão umbilical, o qual será armazenado e estará disponível para quem seja compatível e precise de um transplante.

Onde posso coletar o sangue de cordão do meu filho?
No Brasil existem dois sistemas: um sistema dirigido para unidades públicas e outro para o sistema privado. O BrasilCord representa a rede pública e possui aproximadamente 13 unidades espalhadas pelo Brasil. A gestante deverá buscar uma das 13 unidades coletadora e seguir todos requisitos técnicos e legais.

No setor privado, oriento que a mãe busque uma unidade geograficamente próxima ao centro médico de opção em caso de necessidade de transplante. Também deverá seguir critérios técnicos e legais específicos do sistema privado.

Quanto tempo o cordão pode ficar congelado?
Não há tempo máximo definido pela literatura. Há relatos de unidades congeladas há aproximadamente 23 anos, que demonstram viabilidade celular adequada.

Como os pacientes receberão estas células?
Após o tratamento quimioterápico e/ou radioterápico para o preparo do paciente para o transplante, o sangue de cordão umbilical é descongelado e infundido na veia como se fosse uma transfusão de sangue.

Como é feito o transplante e quais os riscos para o receptor destas células?
No início do tratamento, ocorre a destruição da medula-óssea doente através da quimioterapia. Após este procedimento, realiza-se o transplante para recuperação do sistema sanguíneo e imunológico, por meio da transfusão das novas células-tronco. Enquanto ocorre essa recuperação, o paciente corre risco de infecção e sangramento. Por isso, o paciente fica invariavelmente internado por três a quatro semanas. Após a recuperação do sangue, o cuidado é permanente e, muitas vezes, é necessário o comparecimento diário ao hospital.

Caso filho (a) da gestante que doou seu cordão necessitar de um transplante de células-tronco, ele (a) terá prioridade?
No caso da contratação do serviço no sistema privado, o armazenamento é de uso exclusivo do bebê. No caso de doação para o sistema público, a unidade fica armazenada em um dos bancos públicos da rede BrasilCord a espera de um paciente compatível, habitualmente portador de uma doença hematológica grave. Nesse caso, a família não poderá reivindicar a qualquer tempo o sangue de cordão doado.

Quem recebe os órgãos doados?
No caso do setor público, o receptor do sangue de cordão umbilical é um paciente com doença do sistema sanguíneo e imunológico e totalmente compatível com o doador. Os principais exemplos de indicação de transplante de sangue de cordão umbilical são: leucemia aguda, leucemia crônica, linfoma, imunodeficiência congênita, hemoglobinopatia, mielodisplasia, e outras doenças.

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