Com o início do inverno, o frio, somado à baixa umidade do ar e à maior concentração de poluentes, se torna o principal desencadeador de doenças, como gripes e resfriados, asmas, bronquites, amidalites, pneumonias, rinites alérgicas e dores de ouvido. Por possuírem sintomas muito parecidos, como dores, febre acima de 38ºC, mal estar, tosse, coriza, espirros frequentes e coceira na garganta, a população costuma confundir essas enfermidades.

Crianças e idosos, por terem a saúde mais frágil, são os mais afetados, mas com alguns cuidados é possível minimizar os efeitos que essas doenças geram na saúde e no bem-estar de muitas pessoas durante esse período. Limpar as mãos e ventilar ambientes fechados são importantes formas de prevenção. Porém, uma vez que a pessoa contrai algum desses problemas, o tratamento com analgésicos, antivirais ou antibióticos sob orientação médica é necessário.

Cada uma das doenças de inverno tem sua característica própria. Por isso, para aproveitar com saúde, é importante conhecer informações básicas sobre as mais comuns e os cuidados necessários para a prevenção e o tratamento adequado desses problemas. Para falar sobre esse assunto, convidamos o  pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Ciro Kirchenchtejn.

Quais são as doenças de inverno?

Gripes e resfriados: embora tenham sintomas aparentemente semelhantes, a gripe e o resfriado são doenças diferentes.

O resfriado costuma ser mais comum e simples de tratar. Dura entre quatro e cinco dias, mas pode se prolongar por até duas semanas. Provoca coriza, obstrução nasal, tosse, dor de cabeça, dor de garanta, febre baixa e espirros. É transmitido pelo contato direto entre pessoas. Analgésicos e antitérmicos podem aliviar os sintomas.

A gripe, causada pelo vírus influenza, é mais grave e costuma ter duração mais longa. Além dos sintomas do resfriado, provoca febre alta de instalação abrupta, dores pelo corpo e fadiga. De 10% a 20% da população mundial é infectada pelo vírus influenza todos os anos, resultando em mais de três milhões de casos graves e em 500 mil mortes, o que a torna uma doença perigosa para a população. Se não diagnosticada e tratada corretamente, a gripe pode desencadear complicações como pneumonias e comprometimento dos brônquios.

Asma: comum em crianças, mas também presente em adultos, a asma é uma inflamação do pulmão e das vias aéreas, caracterizada por chiados no peito, tosse e sensação de falta de ar.

Amidalite: é uma inflamação das amídalas causada por vírus ou bactérias. Os sintomas são dor de garganta, dor ao engolir, febre e mau hálito.

Bronquite: inflamação dos brônquios que impede a chegada do ar aos pulmões. Seus principais sintomas são tosse seca com chiado seguida por tosse com catarro.

Dor de ouvido ou otite: muito comum em crianças e, normalmente, causada por vírus e bactérias que infectaram a garganta e migraram até o ouvido.

Pneumonia: é uma infecção aguda dos pulmões causada por bactérias, vírus ou fungos. Ocorre quando há falha nas defesas do organismo e pode surgir após uma gripe ou crise das “bronquites fortes”.

Rinite: é a mais comum das doenças alérgicas causada pela inflamação ou irritação da mucosa do nariz. Os principais sintomas são espirros, coriza, coceira e entupimento do nariz.

Sinusite: é a inflamação das cavidades do crânio em torno do nariz, causada por alergias ou infecções virais e bacterianas que provocam dor de cabeça, inchaço nas pálpebras, nariz entupido, secreção nasal e dor nos olhos.

Alergias: são reações causadas por repulsa a tipos de elementos como pelos de animais, mofo, tipos de tecidos, poeiras, perfumes, entre outros. Os sintomas para a identificação de alergias vão desde um espirro a coceiras e tosses.

E como prevenir?

• Limpar as mãos com água e sabão depois de tossir ou espirrar, após usar o banheiro, antes de comer e antes de tocar os olhos, boca e nariz;
•  Evitar tocar os olhos, nariz ou boca após contato com superfícies;
•  Usar lenço de papel descartável;
•  Proteger com lenços a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
•  Orientar para que o doente evite sair de casa enquanto estiver em período de transmissão da doença (até cinco dias após o início dos sintomas);
•  Evitar aglomerações e ambientes fechados (deve-se manter os ambientes ventilados);
•  Arejar o ambiente doméstico e fazer com que ele receba a luz solar, pois estas medidas ajudam a eliminar os possíveis agentes das infecções respiratórias;
•  Escolher a tinta correta para pintar as paredes da casa. Optar sempre por aquelas que contêm substâncias que inibam a proliferação de fungos, mofo e ainda não possibilita a aderência de poeira. Preferir sempre as tintas fabricadas à base de água;
•  Manter limpas as roupas de cama, principalmente cobertores e edredons;
•  Lavar, secar e arejar bem as roupas de inverno guardadas por muito tempo antes de serem utilizadas;
•  Manter hábitos saudáveis, como alimentação balanceada (alimentos ricos em vitamina C, como limão, laranja, abacaxi e acerola), ingestão de líquidos e atividade física;
•  Evitar o cigarro;
•  Fazer a vacinação anual contra gripe, que diminui a gravidade da doença e as chances de complicações por óbito. Mas ATENÇÃO:  a vacinação não é indicada para crianças com menos de seis meses e indivíduos com relatos de choque anafilático à proteína de ovo de galinha.

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