Hiperglicemia significa a elevação de glicose no sangue. A insulina é um hormônio produzido no pâncreas e responsável por transformar a glicose (açúcar) dos alimentos em energia para o corpo. Quando o organismo não fabrica insulina ou não é capaz de utilizá-la adequadamente, o corpo não consegue usar a glicose dos alimentos mantendo-se na circulação.

Apesar de todo paciente diabético apresentar hiperglicemia, não significa que pessoas que tenham um episódio de hiperglicemia sejam diabéticas. Uma alimentação desequilibrada, por exemplo, pode provocar um quadro de hiperglicemia.
Para diagnóstico de diabetes, a taxa de açúcar no sangue é definida acima de 125mg/dl. Valores entre 100 e 125 mg/dl caracteriza o pré-diabético, estágio anterior ao diabetes, que chega atingir 250 milhões de pessoas no mundo, sendo que 1/3 delas desconhecem a doença.

A hiperglicemia mantida ao longo dos anos, além de ser fator de risco para doença cardiovascular, é caminho sem volta para o diabetes. Também nem todo paciente pré-diabético desenvolverá o diabetes. Mas todo pré-diabético que não adotar um estilo de vida saudável, com exercícios físicos e alimentação balanceada, em até 5 anos pode se tornar um paciente com diabetes. A cada ano, 7 milhões de pessoas no mundo que desenvolvem diabetes. A recomendação é perder entre 5 a 10% do peso e aderir a uma dieta equilibrada que reverta os níveis de glicose aos valores normais. Portanto, a principal medida preventiva é evitar alimentos e comportamentos que disparem a glicemia.

E o que é a glicemia?

Além das calorias, que é uma medida de energia, os alimentos são classificados de acordo com seu nível glicêmico. O índice glicêmico (IG) refere-se à velocidade do alimento para se transformar em açúcar no sangue. Quanto mais rápido o alimento atravessa o sistema digestivo, maior será a descarga de insulina para recolher todo o açúcar (glicose) deste alimento e encaminhá-lo às células, já que açúcar circulando em excesso no sangue é “veneno”.  E é esta uma das funções da insulina, evitar que a glicose permaneça no sangue. Por isso a importância da insulina nos pacientes com diabetes, evitando desta forma, as complicações vasculares que trazem sérias consequências . Clique no link azul para saber mais sobre este assunto.

Insulina e alimentação

Além dos desequilíbrios de insulina causados pelo diabetes, a alimentação exerce forte influência neste hormônio. Quando você come alimentos com alto índice glicêmico (açúcar e carboidratos), a insulina dispara para fazer este transporte as células do seu corpo. Porém, as células tem capacidade limitada para utilizar toda a glicose destes alimentos. E o que acontece então? A insulina é obrigada levar a glicose para o tecido gordo armazenando na forma de triglicérides (gordura).  Excesso de triglicérides provoca deposição de gorduras nos vasos e aterosclerose, aumentando o risco das doenças cardiovasculares além de provocar a obesidade, principal causa de diabetes tipo 2. Clique no link para ler artigo completo Diabetes e obesidade

Na alimentação, o vilão da história são os carboidratos, que possuem o maior índice glicêmico e 100% dele é transformado em glicose. Entram de forma acelerada na corrente sanguínea elevando a glicemia entre 15 minutos a 2 horas.

Já as proteínas, apenas 30 a 60%  delas são transformada em glicose. O processo também é mais lento e, normalmente, demora entre 3 a 4 horas, diminuindo, desta forma, o impacto da glicose no sangue. 

As gorduras apesar de serem vistas como maléficas, são fundamentais para o bom funcionamento do organismo (gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas). Elas tem pouco impacto nos níveis de glicose no sangue pois bloqueiam a ação da insulina devido ao tempo maior que levam para serem digeridas (cerca de 6 a 8 horas). Apenas 10% das gorduras são transformadas em glicose. Por isso, tanto as gorduras assim como os alimentos com fibras, por exemplo, favorecem a diminuição no índice glicêmico dos alimentos. Entretanto, gorduras consumidas em excesso podem levar a obstrução das artérias, que é a principal causa de infarto, acidente vascular cerebral e trombose. Recomenda-se uma ingestão diária entre 25 a 30% das calorias ao dia, observando a qualidade das gorduras, já que nem todas são benéficas. Clique no link e leia artigo completo sobre alimentação e o controle glicêmico. Clique nas palavras em azul para ler artigos relacionados.

Hiperglicemia após a alimentação (chamada de pós-prandial ou reativa)

Este tipo de hiperglicemia ocorre por um aumento exagerado e prolongado dos níveis de glicose no sangue após a alimentação. É causada por um desequilíbrio da insulina devido a excesso de açúcar e carboidratos na comida.

Outras causas da hiperglicemia

Alguns medicamentos, como efeito colateral, podem levar a hiperglicemia. Entre eles podemos citar: diuréticos de tiazida, betabloqueadores, corticosteroides, Rituximab, alguns antidepressivos etc.

Sintomas da hiperglicemia:
• Aumento da sede
• Vontade de urinar com mais frequência
• Açúcar na urina
• Cansaço
• Dor de cabeça
• Visão turva
• Mal-estar

A prevenção da hiperglicemia em pacientes não diabéticos é a prática de exercícios físicos e alimentação equilibrada. Aconselha-se também fracionar as refeições, se alimentando a cada 3 horas, evitando desta forma, comer demasiadamente o que favorece os picos de insulina.

Pacientes com diabetes além dessas orientações, é importante controlar a administração da insulina e estar atento a ingestão recomendada de carboidratos. Clique no link e veja artigo relacionado: erros e acertos ao usar o medidor de glicose

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