“Ite” é sufixo grego que corresponde à inflamação e “hepato” refere-se ao fígado. Várias são as causas de hepatite. Existe hepatite que decorre de infecção viral;  outra pelo uso de drogas, tais como: medicamentos, bebidas alcoólicas, ervas, cogumelos, fungos, ou contato com tóxicos, como defensivos agrícolas. Seria difícil mencionar todas as drogas (medicamentos) que podem levar à hepatite, mas exemplificamos com algumas: isoniazida, halotano, clorpromazida, amoxicilina, ácido clavulânico, fenitoína, mercaptopurina, tetraciclina, ácido valpróico, amiodarona, clorotiazida e sinvastatina.

O gastroenterologista Prof. Dr. Luiz Chether alerta que o paracetamol em doses elevadas, pode provocar a hepatite aguda com evolução fulminante (determina morte por insuficiência hepática aguda ou subaguda). A própria gordura no fígado, quando em excesso (esteatose hepática), pode provocar hepatite (esteatohepatite), comum no obeso, diabético e etilista. O organismo da mulher no período fértil, também pode agredir o fígado, ao que se conhece como hepatite autoimune.  Já a Hepatite B é transmissível sexualmente. E a Hepatite A, por água ou alimentos contaminados.

Qualquer que seja a causa da hepatite, pode haver manifestações clínicas que levantem a suspeita, mas também pode ocorrer quadros com pouca ou nenhuma exteriorização.  Os sintomas mais comuns (em indivíduos sem doença hepática prévia) são:
• Indisposição,
• Náuseas,
• Vômitos,
• Perda de apetite,
• Eventualmente febre,
• Prurido (coceira) generalizado,
• Urina escura (como coca-cola),
• Fezes claras.

Geralmente, quando surge icterícia (pele amarelada), há melhora dos sintomas iniciais. Manifestações clínicas de pequena intensidade ou ausentes associam-se à evolução crônica e ao desenvolvimento de cirrose hepática.

O diagnóstico é feito através de uma conversa detalhada com o doente,  interrogando sobre o que ele tem e sente, especificando acontecimentos de sua vida, tais como:
• Se teve contato com doente com hepatite;
• Se tomou injeções com material não descartável;
• Se faz tratamento de dentes;
• Se recebeu transfusão de sangue;
• Se submeteu-se a transplante de órgão;
• Se usa drogas, injetáveis ou inaláveis;
• Se tem relações homossexuais;
• Se tem uma vida com promiscuidades sexuais etc.

Em um exame físico bem feito, verifica-se se o fígado apresenta-se aumentado e doloroso à palpação (o que acontece se é hepatite aguda), se o baço está aumentado, se existem gânglios, se há anemia, icterícia e febre. Suspeitando-se clinicamente de um diagnóstico de hepatite, solicita-se exames subsidiários hematológico (de sangue). As alterações laboratoriais (elevação de enzimas do fígado) selam o diagnóstico.

Nos casos de hepatites virais, o exame de sangue acusa leucopenia (diminuição dos glóbulos brancos) com aumento dos linfócitos que, conforme a causa, são atípicos, e há aumento de hemossedimentação.

O ultrassom é um exame útil, mostrando frequentemente alteração do fígado específica para hepatites e, nos casos crônicos, para cirrose. A tomografia computadorizada (CT) e a ressonância magnética ficam reservadas apenas para os casos de evolução para cirrose e nos casos em que se suspeita de câncer no fígado. O diagnóstico da causa da hepatite é fornecido pelo exame de sangue com a avaliação de anticorpos para cada um dos vírus.

O tratamento fundamental é o profilático ou preventivo. Graças às vacinas para hepatite A e B, progressivamente reduz-se a ocorrência das hepatites por estes vírus (consequentemente, pelo vírus D também). Entretanto eleva-se a detecção de quadro crônico pelo vírus C, que é o grande desafio do século XXI e somente será minimizado com a descoberta da vacina.

Em caso de falha de profilaxia, o tratamento para a hepatite aguda reside no uso de medicamento(s) sintomático(s) e da adequação da dieta (leve, com pouca gordura e condimentos). Em caso de detecção de hepatite aguda pelo vírus C, o que não é usual, emprega-se interferon, objetivando evitar a tão comum cronificação.

Até poucos anos, quando a hepatite não se enquadrava em nenhum dos marcadores existentes para hepatite viral, e não se detectava nenhuma outra causa para sua etiologia, ela era denominada hepatite "não-A, não-B", isto é, por algum vírus ainda não identificado. Hoje, já se detecta o anticorpo para a hepatite C e, portanto, ela saiu deste grupo, o que diminui muito as chamadas hepatites "não-A, não-B". Também a hepatite E e a G já não fazem mais parte desse grupo.

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