Diabetes é uma doença crônica e deve ser encarada com seriedade. A negligência no controle dos níveis glicêmicos pode levar a graves complicações, incluindo morte prematura. Estudos indicam que o diabetes causa mais mortes do que o câncer de mama e a AIDS juntos. Duas em cada três pessoas com diabetes morrem em função de problemas cardiovasculares ou derrame. A boa notícia é que o diabético bem controlado apresenta sobrevida comparável a de indivíduos não diabéticos.

Apesar disso, a situação do controle glicêmico no Brasil é desastrosa e altamente preocupante. Segundo o Dr. Augusto Pimazoni Netto, Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim, 90% dos diabéticos tipo 1 e 73% dos diabéticos tipo 2 estão com o diabetes fora de controle. Uma das principais causas dessa situação é a falta de compromisso do paciente com o automonitoramento da glicemia. O descontrole das altas taxas de glicose no sangue é fator desencadeante de doenças sérias. O que agrava ainda mais o quadro é que grande parte dessas complicações não apresentarem sintomas na fase inicial, o que faz com que o diabético negligencie o controle da glicemia. Resultado: a demora no diagnóstico das doenças associadas ao diabetes dificulta o tratamento e pode trazer consequências irreversíveis.

As principais consequências do diabetes descompensado são vasculares, podendo atingir desde os pequenos vasos, como os vasos de maior calibre. Além dos órgãos afetados, os problemas circulatórios também dificultam a cicatrização e o combate a infecções. O mau controle glicêmico pode levar inclusive, ao acometimento dos nervos.

• Perda da visão: o excesso de glicose danifica os vasos sanguíneos da retina (retinopatia diabética). Na fase inicial, normalmente, não apresenta sintomas e com o passar do tempo, caso não tratado, pode evoluir para a cegueira. Ao primeiro sinal de visão borrada, ou qualquer outra alteração, procure um oftalmologista com urgência.

• Problema renal: os rins são uma espécie de filtro, compostos por milhões de vasinhos sanguíneos. Na nefropatia diabética, há uma progressiva diminuição da capacidade de filtração, que é a principal função do rim. A doença não costuma apresentar sintomas, porém muitos pacientes notam que a urina fica mais espumosa. Caso perceba alterações em sua urina, informe ao seu médico. 

Na fase inicial pode ocorrer o aumento da pressão arterial (hipertensão). Esta condição é um sinal de alerta, pois pode evoluir para insuficiência renal. No paciente com diabetes tipo 1, a insuficiência renal progressiva ocorre em cerca de 50% dos pacientes. No tipo 2, observa-se um número crescente desta complicação obrigando o paciente submeter-se a hemodiálise ou ao transplante renal.

• Amputação: o pé diabético é uma das complicações mais frequentes do diabetes. A glicemia alta desencadeia a doença vascular periférica (diminuição do fluxo sanguíneo das extremidades, principalmente dos membros inferiores) e a neuropatia diabética (dano do nervo) reduzindo a sensibilidade dos pés. Com a perda da sensibilidade, os pés ficam mais sujeitos a ferimentos sem que o paciente sinta a lesão. Devido à redução da circulação, a cicatrização se torna mais lenta, provocando ulcerações que podem evoluir para infecções e destruição de tecidos profundos (gangrena). Caso o pé não seja amputado pode ocasionar uma infecção generalizada e levar o paciente à morte.

Os sintomas no início são formigamento, sensação de queimação e/ou dor na planta dos pés. Em estágio mais avançado, os pés se tornam frios e ocorre a perda progressiva da sensibilidade. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 20% das internações de pacientes com diabetes são decorrentes de lesões nos pés e 70% das cirurgias de amputações no Brasil tem como causa o diabetes mal controlado. São 55 mil amputações anuais e que podiam ser evitadas com o uso de calçados adequados e cuidados regulares que incluem medidas simples, como a inspeção diária dos pés para detectar precocemente qualquer lesão suspeita.

Modernamente tem-se utilizado a terapia por ondas de choque, que consiste no bombeamento de ondas ultrassônicas, que provocariam o aumento da vascularização local, facilitando assim a cicatrização. Clique no link azul e leia artigo completo sobre Pé diabético e amputação

• Alterações ateroscleróticas: diminuição da circulação sanguínea nos vasos de maior calibre caracterizado como macroangiopatia diabética. É a principal causa de morte (65 a 75%) dos pacientes diabéticos.  No coração,  leva ao infarto. No cérebro,  provoca o Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC, conhecido popularmente e erroneamente como “derrame”) . Trata-se de uma aterosclerose acelerada, ou seja, seriam os mesmos processos que ocorreriam em indivíduos não diabéticos, mas que no caso de pacientes diabéticos, ocorrem mais rapidamente. É importante destacar que o diabético adequadamente compensado (com os níveis de glicose controlados) não apresenta uma aceleração no desenvolvimento desses processos.

PREVINA-SE ANTES QUE SEJA TARDE

Manter os níveis de glicose estáveis no sangue é fundamental para prevenir as complicações decorrentes do diabetes. A definição das metas glicêmicas é individualizada, respeitando o estado de saúde, características fisiológicas e estilo de vida do paciente.

Há vários modelos de glicosímetros disponíveis em quase todas as grandes redes de farmácias e, da mesma forma, a escolha deve ser direcionada de acordo com o as necessidades individuais de cada paciente. É importante a orientação do seu médico de como usar o aparelho e identificar os padrões de glicose. As medições devem ser realizadas nas situações, nos horários e na frequência estipulada. Diante de qualquer sintoma também é aconselhável medir a taxa de glicose.

A Sociedade Brasileira de Diabetes define como regra básica:
• A glicemia normal em jejum não poderá ultrapassar os 100 mg/dL.
• Duas horas após uma refeição, o valor máximo não deve ser superior a 140 mg/dL.

A medição com o glicosímetro é um instrumento indispensável para você controlar sua glicose em qualquer momento do dia. Esses dados possibilitam que seu médico avalie as oscilações de sua glicemia, revendo, se necessário, mudança no tratamento.

Na consulta leve o monitor, assim como o registro das glicemias e dos horários e doses das medicações.  O seu médico também poderá testar se seu aparelho está funcionando de forma adequada e se você está usando de forma correta.

Existem aplicativos gratuitos para o celular que permitem você anotar a medição de sua taxa de glicose em todas as situações, facilitando tanto para você como para seu médico, a interpretação e a precisão das informações.  

COMO USAR O APARELHO E MEDIR SUA GLICOSE CORRETAMENTE

A frequência em que você vai medir sua glicose é estabelecida de acordo com o seu plano de tratamento. Manter os níveis de glicose dentro da meta pode ser desafiador e um pouco frustrante quando os resultados não são alcançados. No início, pode haver alguma dificuldade para realizar esse gerenciamento e medição. Isso é absolutamente normal. Toda mudança exige um período de treinamento e adaptação. Não se cobre demais e em breve o gerenciamento se tornará algo natural na sua vida.

Existe no mercado uma grande variedade de aparelhos, lancetas e técnicas para fazer o automonitoramento da glicose. Leia as instruções e oriente-se como limpar seu aparelho e verificar se está calibrado. Certifique-se também sobre o tipo de tira que deve ser usado no seu monitor e o tamanho da gota de sangue necessária para a medição. Fique atento também ao prazo de validade das tiras. Tiras vencidas podem produzir resultados errados.

A Sociedade Brasileira de Diabetes esclarece as principais dúvidas e oferece instruções para o melhor aproveitamento do seu glicosímetro:

Não use álcool para limpar as mãos
É importante ter as mãos limpas antes de fazer o teste. Pequenos vestígios de comida nas pontas dos dedos, por exemplo, podem contaminar a amostra de sangue. Esfregar álcool nas mãos também é desnecessário e pode afinar a pele, tornando o exame mais doloroso com o tempo. Lave as mãos apenas com água e sabão.

Como facilitar o fluxo de sangue para os dedos e evitar os hematomas
Se você tem que espremer a ponta do dedo para conseguir a amostra de sangue, tente alguma dessas dicas:
1) Use água morna para lavar as mãos;
2) Depois, deixe seu braço estendido ao longo do corpo, na posição vertical, por um minuto;
3) Massageie delicadamente o dedo, da base até a ponta;
4) Após usar a lanceta, pegue um lenço limpo e pressione a ponta do dedo firmemente, por alguns segundos, até parar o sangramento. Desta forma, evitará também, os hematomas. 

Modo de usar as lancetas (pequenas pontinhas que perfuram sua pele)
O ideal é que as lancetas sejam usadas apenas uma vez. Eventualmente, para redução de custos, pode-se discutir a reutilização, considerando cada caso, de acordo com a orientação do médico. Profundidade: existem aparelhos que permitem regular a profundidade em que a lanceta penetra na pele. Quanto mais alto o número da gradação, mais será a profundidade da lanceta. Peça orientação ao seu médico referente à menor profundidade possível, sem prejudicar a qualidade da amostra.

Local e variação da posição para os testes
Evite realizar o teste sempre no mesmo local. A área macia no meio da ponta do dedo costuma ser mais dolorida. Prefira as laterais das pontas dos dedos, que são menos enervadas tornando a picadinha menos desconfortável.

Embora alguns equipamentos indiquem que você pode colher a amostra também no antebraço ou na coxa, essas regiões do corpo podem não ser as mais indicadas quando o nível de glicemia está em rápida alteração, como por exemplo, nos períodos após as refeições, atividades físicas, aplicação de insulina ou episódios de hipoglicemia.

Converse com seu médico sobre locais alternativos adequados ao seu caso.

Hidrate sempre as mãos
Usar creme para as mãos regularmente vai ajudar a manter as pontas dos dedos macias e os testes serão mais fáceis. Lembre-se, que antes dos testes, você deve lavar as mãos e também não pode conter resíduos de hidratante.

Desabafe, fale de seus desconfortos
Se você estiver passando por algum grande desconforto ou dor, converse com seu médico e com os integrantes da equipe que acompanha seu tratamento. Não seja tímido e não ache que simplesmente “tem que aguentar”.

Em muitos casos, algo pode estar sendo feito de forma incorreta ou pode ser feito de outra maneira, que se adapte melhor ao seu estilo, à sua pele e à sua habilidade.

Diabetes não é uma sentença de morte. É apenas um alerta pra você cuidar mais de sua saúde e com mais qualidade de vida. Alimentação balanceada e atividades físicas são comportamentos que só tem a acrescentar e faz parte da rotina de todas as pessoas que se preocupam com a saúde, mesmo sem serem diabéticas. Os cuidados adicionais fazem parte da vida de qualquer pessoa que sofra uma doença crônica, como a hipertensão arterial, por exemplo. Seguindo todas as orientações você pode evitar as complicações do diabetes e levar uma vida de forma natural, saudável, sem angústia e feliz.

Fonte: Livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) Capítulo de endocrinologia. Médico responsável Prof. Dr. Alfredo Halpern; Sociedade Brasileira de Diabetes.

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