Epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos e se expressa por crises epilépticas repetidas. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Se ficarem restritos, a crise será chamada parcial. Se envolverem os dois hemisférios cerebrais, é denominada generalizada (observe a foto). Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância se a crise for menos aparente.

Vale esclarecer que apenas uma crise epiléptica não caracteriza um quadro de epilepsia. Para que isso ocorra, é necessário que, no período de um ano, hajam duas ou mais crises originadas espontaneamente. É importante dizer também, que ao contrário de muitas crenças populares, a epilepsia não é contagiosa. Quanto as causas, a maior parte dos casos de epilepsia (quando não são sintomas de outras doenças) não possuem procedência clara. Distúrbios cerebrais de causa genética estão entre as possíveis causas.

Quais as causas da epilepsia? 
Existe uma predisposição genética variável entre as diferentes formas de epilepsia: a epilepsia nata (idiopática) e a sintomática. Quando já se nasce com epilepsia, ela é denominada epilepsia idiopática ("idio" quer dizer próprio, ou seja, é própria da pessoa).  A própria epilepsia é a doença e não um sintoma de alguma outra condição. Esse tipo de epilepsia é aquela que não apresenta nenhum tipo de lesão como fator causal. Acredita-se que seja decorrente de distúrbios na transmissão nervosa.

Na epilepsia sintomática a causa pode ser uma lesão no cérebro, decorrente de uma forte pancada na cabeça, uma infecção (meningite, por exemplo), neurocisticercose (“ovos de solitária” no cérebro), abuso de bebidas alcoólicas, de drogas, etc. Às vezes, algo que ocorreu antes ou durante o parto.

Muitas vezes não é possível conhecer as causas que deram origem à epilepsia. Neste tipo de epilepsia pode-se ver cicatrizes cerebrais decorrentes de traumatismos cranioencefálicos, meningoencefalites, hemorragias ou quaisquer lesões adquiridas. Outras causas são:
• As malformações no desenvolvimento do sistema nervoso;
• Os tumores cerebrais, especialmente os benignos e de crescimento lento;
• Lesão denominada esclerose mesial do lobo temporal, caracterizada por atrofia do hipocampo e da amígdala do lobo temporal. Essa lesão (esclerose mesial do lobo temporal) geralmente é associada à ocorrência de convulsões decorrentes de febre nos primeiros anos de vida, e é considerada a causa mais frequente de epilepsia sintomática.

A epilepsia sintomática deixa de existir sempre que for possível tratar a doença de base que a originou.

A epilepsia é genética ou pode ser adquirida ao longo da vida?
A epilepsia é muito frequente. Em cada cem pessoas, uma a duas tem epilepsia. Estima-se que ao redor do mundo 2% da população tenha epilepsia ativa, ou seja, esteja em tratamento ou tenha tido crises no último ano. Existe uma tendência genética da pessoa a ter crises epilépticas.

Se um dos pais tem epilepsia nata (idiopática), seu filho tem 4% de chance de apresentar crises epilépticas, ou seja, taxa maior do que na população geral, que é da ordem de 1%. Se um gêmeo idêntico tem epilepsia idiopática, o risco de o outro gêmeo desenvolver epilepsia é de 80%. Em casos de gêmeos bivitelínicos, o risco é de 10% a 20%. Os gens envolvidos em algumas das formas de epilepsia já foram identificados.

Pacientes com epilepsia sintomática (ou seja, por consequência de uma lesão definida como causa do problema) também apresentarão maior porcentagem de familiares com epilepsia, o que demonstra a necessidade de uma predisposição genética para a manifestação epiléptica de uma lesão cerebral. Para os membros da família de pessoas com epilepsia sintomática o risco é de cerca de 2%. Se um dos pais tem epilepsia sintomática, o risco de seu filho apresentar epilepsia é tão remoto que pode ser ignorado.

AS FORMAS DE MANIFESTAÇÕES DA EPILEPSIA

As crises epilépticas podem se manifestar de diferentes maneiras:

•  A crise convulsiva é a forma mais conhecida pelas pessoas e é identificada como “ataque epiléptico”. Nesse tipo de crise a pessoa pode cair ao chão, apresentar contrações musculares em todo o corpo, mordedura da língua, salivação intensa, respiração ofegante e, às vezes, até urinar.

•  A crise do tipo “ausência” é conhecida como “desligamentos”. A pessoa fica com o olhar fixo, perde contato com o meio por alguns segundos como se estivesse “desligada”, podendo retornar o que estava fazendo em seguida. Por ser de curtíssima duração, muitas vezes não é percebida pelos familiares e/ou professores.

Crises parciais podem ser simples ou complexas. Nos casos simples, o estado de consciência permanece inalterado. Nas crises parciais complexas o estado de consciência fica alterado, ou seja, a pessoa não consegue interagir com outras e não se lembra do que acontece no período da crise. Estas crises são provocadas por alterações localizadas em qualquer parte do cérebro, e portanto, causar os mais variados tipos de sintomas.

Por exemplo, durante uma crise parcial simples a pessoa pode apresentar sensações de formigamento, contrações em um braço ou perna, e outros sintomas. Outros sinais são mal-estar, desconcorto gástrico, medo sem motivo aparente e sensação estranha de familiaridade (dejà vu). Se, além disso, perder a consciência, a crise será chamada de parcial complexa.

As crises parciais complexas, se manifestam como se a pessoas estivesse “alerta” mas não tem controle de seus atos, fazendo movimentos automaticamente. Durante esses movimentos automáticos involuntários, a pessoa pode ficar mastigando, falando de modo incompreensível ou andando sem direção definida. Em geral, a pessoa não se recorda do que aconteceu quando a crise termina. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória.

•  Existem outros tipos de crises que podem provocar quedas ao solo sem nenhum movimento ou contrações ou, então, ter percepções visuais ou auditivas estranhas ou, ainda, alterações transitórias da memória. Quando as crises duram mais de 30 minutos sem que a pessoa recupere a consciência, são perigosas, podendo prejudicar as funções cerebrais.

DURAÇÃO DA CRISE EPILÉTICA
Se a crise durar menos de 5 minutos e você souber que a pessoa é epiléptica, não é necessário chamar um médico. Acomode-a, afrouxe suas roupas (gravatas, botões apertados), coloque um travesseiro sob sua cabeça e espere o episódio passar. Mulheres grávidas e diabéticos merecem maiores cuidados. Depois da crise, lembre-se que a pessoa pode ficar confusa: acalme-a ou leve-a para casa.

Quando não há interrupção do fenômeno crítico por 30 minutos, configuramos o estado de mal epiléptico, condição grave que, se não tratada adequadamente, pode acarretar o óbito. A causa mais comum do estado de mal epiléptico é a retirada abrupta das drogas antiepilépticas por pacientes que fazem uso a longo prazo deste tipo de medicação.

DIAGNÓSTICO
Exames como eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem são ferramentas que auxiliam no diagnóstico. O histórico clínico do paciente, porém, é muito importante, já que exames normais não excluem a possibilidade de a pessoa ser epiléptica. Se o paciente não se lembra das crises, a pessoa que as presencia torna-se uma testemunha útil na investigação do tipo de epilepsia em questão e, consequentemente, na busca do tratamento adequado.

TRATAMENTO
O tratamento da epilepsia é realizado por meio de medicamentos, geralmente depois da segunda crise, a fim de diminuir as anormalidades dos impulsos elétricos cerebrais e, consequentemente, bloquear as crises. No entanto, os medicamentos não corrigem os danos neurológicos existentes. Para melhor entendimento, podemos fazer aqui uma comparação entre crise epiléptica e febre. A crise epiléptica é a resposta do cérebro a uma agressão como, em analogia, a febre é a resposta do organismo a uma infecção. A agressão ao cérebro, é a causa (que pode ser de diversos tipos, como uma cicatriz de um trauma, um tumor, ou um defeito no funcionamento do neurônio de origem genética) e a crise é o sintoma. Os medicamentos para controle de crises atuam apenas no sintoma (crise), assim como um antitérmico controla a febre, mas não cura a infecção que causa a febre.

A escolha da medicação é individualizada, feita a partir das necessidades e características de cada paciente. Na maioria das pessoas, as crises epilépticas cessam em menos de quinze anos. No entanto, acredita-se que pelo menos 25% dos pacientes com epilepsia no Brasil são portadores em estágios mais graves, ou seja, com necessidade do uso de medicamentos por toda a vida, sendo as crises frequentemente incontroláveis e estes, então, são candidatos a intervenção cirúrgica. No Brasil já existem centros de tratamento cirúrgico aprovados pelo Ministério da Saúde. Para ser realizada, a causa dever ser detectada e o tecido cerebral lesionado estar restrito a uma área do cérebro. A cirurgia não deve trazer danos ao paciente – como mudanças na personalidade e alterações em funções. O resultado da cirurgia pode variar de acordo com tipo de lesão de cada paciente.

TRATAMENTOS ALTERNATIVOS
Existe uma dieta especial, hipercalórica, rica em lipídios, que é utilizada geralmente em crianças e deve ser muito bem orientada por um profissional competente.  Recomendações as pessoas portadoras de epilepsia: não ingerir bebidas alcoólicas, não passar noites em claro, ter uma dieta balanceada, evitar uma vida estressada demais.

CURA
Em geral, se a pessoa passa anos sem ter crises e sem medicação, pode ser considerada curada. O principal, entretanto, é procurar auxílio o quanto antes, a fim de receber o tratamento adequado. Foi-se o tempo que epilepsia era sinônimo de Gardenal, apesar de tal medicação ainda ser utilizada em certos pacientes. As drogas antiepilépticas são eficazes na maioria dos casos, e os efeitos colaterais têm sido diminuídos. Muitas pessoas que têm epilepsia levam vida normal, inclusive destacando-se na sua carreira profissional.

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Fonte: Liga Brasileira de Epilepsia, Ministério da Saúde, Academia Brasileira de Neurologia e livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel), capítulo de Neurologia Prof. Dr. Milberto Scaff, Prof. Dra. Samira Luisa dos Apóstolos Pereira

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