Após o nascimento, o ar passa a estar presente no tubo digestivo. Normalmente, ele é eliminado pela boca (arroto ou eructação) ou pelo ânus (flatos, "pum") e, habitualmente, não causa qualquer incômodo. A expectativa de que arrotar (o arroto forçado) elimine gases é um mito, pois ao arrotar o indivíduo deglute o ar atmosférico, que é composto de oxigênio, nitrogênio e gás carbônico. Entretanto, o nitrogênio do ar atmosférico é um gás muito leve.  O Prof. Dr. Luiz Chehter, autor do capítulo de gastroenterologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel) cita alguns exemplos para desmistificar este assunto.

Mitos e Verdades do Arroto 

Ao forçar um arroto, a pessoa engole ar, porém, o nitrogênio continua na barriga, pois, por ser um gás leve, ele é pouco absorvido pelo tubo digestivo. Ao ser deglutido, ele não volta com o arroto, permanecendo no estômago e tendo, então, que ser eliminado pelo ânus. Do contrário, pode provocar uma sensação de mal-estar que é, algumas vezes, confundida por pontadas no coração e/ou distensão abdominal, além de estufar a barriga.

O arrotador habitual (aquele que força o arroto) é barrigudo, porque a barriga estufa com o nitrogênio que ele engole durante o dia. Como ele não arrota dormindo, ele amanhece sem barriga.

O ato de falar enquanto se come também provoca deglutição de gases, tal como um arroto forçado.

A eliminação de gases pela boca deve-se basicamente ao refluxo gastroesofágico (fisiológico ou patológico), ou a questão emocional: a ansiedade leva a deglutição de ar.

Em relação à orientação de bater nas costas do bebê para provocar o arroto, é um procedimento correto. É um tipo de arroto provocado (e não forçado) que ajuda a eliminação do ar atmosférico deglutido durante o ato de mamar ou chorar, responsável pelas terríveis cólicas abdominais.

• Vale ressaltar que o arroto espontâneo não faz mal, pois não causa a retenção dos gases atmosféricos, que são habitualmente eliminados dessa forma ou por flatos. O problema ocorre apenas nos arrotos forçados.

Diariamente, formam-se no tubo digestivo muitos gases e a maior parte deles é absorvida pelo organismo. Uma pequena parte desses gases não é absorvida, sendo eliminada na forma de flatos ("pum") ou misturados nas próprias fezes. Em um trabalho, no Royal Free Hospital de Londres, foram acompanhados, por um período de 5 anos, 100 indivíduos arrotadores e 100 não arrotadores. Observou-se uma incidência 30% maior de úlcera e hérnia de hiato nos arrotadores em relação aos não arrotadores. É importante que o médico explique para o indivíduo que arrotar é um tique nervoso e que faz mal. Geralmente, depois de uma semana, ele não o faz mais.

Conteúdo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte.

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