A cada ano, cerca de 22% dos casos novos de câncer em mulheres são de mama. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o número de casos de câncer de mama ocorridos no Brasil em 2014 foi de 57.120, contra 52.680 em 2012, e 49.400 no ano de 2008. Sem considerar os tumores da pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Um alerta: o câncer de mama também pode acometer os homens.

O diagnóstico precoce do câncer de mama é o primeiro e mais importante passo para a cura. A cura fica em torno de 90% se o tumor for diagnosticado precocemente.

Em 2008 chegou ao Brasil a campanha internacional OUTUBRO ROSA, que tem o objetivo de programar ações para conscientizar a população para prevenção do câncer de mama. Entenda agora, um pouco mais sobre este câncer e as medidas preventivas.

DETECÇÃO PRECOCE
Embora a hereditariedade seja responsável por apenas 10% do total de casos, mulheres com história familiar de câncer de mama, especialmente se uma ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmãs) foram acometidas antes dos 50 anos, apresentam maior risco de desenvolver a doença. Esse grupo deve ser acompanhado por médico a partir dos 35 anos (a critério do especialista). É o profissional de saúde quem vai decidir se o acompanhamento deve ser iniciado antes desta idade e quais exames a paciente deverá fazer. Outros fatores de risco para o câncer de mama:
• Primeira menstruação precoce;
• Menopausa tardia;
• Primeira gravidez após os 30 anos;
• Não ter tido filhos também constituem fatores de risco para o câncer de mama.

Mulheres que se encaixem nesses perfis também devem buscar orientação médica. As formas mais eficazes para a detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico e a mamografia.

Exame Clínico das Mamas (ECM)
Pode detectar tumor de até um centímetro, se superficial. Deve ser feito uma vez por ano pelas mulheres a partir de 35 anos.

Mamografia
A mamografia (radiografia da mama) permite a detecção precoce do câncer, ao mostrar lesões em fase inicial, muito pequenas (medindo milímetros).  Deve ser realizada entre 35 e 40 anos e, anualmente, após completar 40 anos, ou segundo recomendação médica.

É realizada em um aparelho de raio-X apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é suportável.

PREVENÇÃO
A prevenção primária do câncer de mama está relacionada ao controle dos fatores de risco reconhecidos. Os fatores hereditários e os associados ao ciclo reprodutivo da mulher não são, em princípio, passíveis de mudança, mas fatores relacionados ao estilo de vida, como obesidade pós-menopausa, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e terapia de reposição hormonal, são modificáveis. Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. Entenda algumas das orientações: 

• Evitar a obesidade, através de dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos, é uma recomendação básica para prevenir o câncer de mama, já que o excesso de peso aumenta o risco de desenvolver a doença;

• A ingestão de álcool, mesmo em quantidade moderada, é contraindicada, pois é fator de risco para esse tipo de tumor;

• Ainda não há certeza da associação do uso de pílulas anticoncepcionais com o aumento do risco para o câncer de mama. Podem estar mais predispostas a ter a doença mulheres que usaram contraceptivos orais de dosagens elevadas de estrogênio, que fizeram uso da medicação por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez.

• O consumo de gordura animal faz com que sejam acumuladas substâncias tóxicas ao organismo que não são eliminadas. Elas agem no corpo como o estrogênio, favorecendo o câncer de mama.

Autoexame das Mamas
O INCA não estimula o autoexame das mamas como método isolado de detecção precoce do câncer de mama. A recomendação é que o exame das mamas pela própria mulher faça parte das ações de educação para a saúde que contemplem o conhecimento do próprio corpo.

Evidências científicas sugerem que o autoexame das mamas não é eficiente para a detecção precoce e não contribui para a redução da mortalidade por câncer de mama. Além disso, traz consequências negativas, como aumento do número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação de segurança nos exames falsamente negativos e impacto psicológico negativo nos exames falsamente positivos. Portanto, o exame das mamas feito pela própria mulher não substitui o exame físico realizado por profissional de saúde (médico ou enfermeiro) qualificado  para essa atividade.

SINTOMAS
Podem surgir alterações na pele que recobre a mama, como abaulamentos ou retrações, inclusive no mamilo, ou aspecto semelhante a casca de laranja. Secreção no mamilo também é um sinal de alerta. O sintoma do câncer palpável é o nódulo (caroço) no seio, acompanhado ou não de dor mamária. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.

ALERTA
Segundo o ginecologista Prof. Dr. Thomaz Gollop, autor do capítulo de ginecologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel), trabalhos científicos recentes mostram um aumento da incidência de câncer de mama em mulheres jovens, com bem menos de 35 anos. “Não há ainda normas de saúde pública para a atenção na prevenção do câncer de mama nessas mulheres. Nós temos tido o cuidado de fazer ultrassonografia de mamas, além de um cuidadoso exame físico, anualmente, em todas as mulheres. Chamamos a atenção que a ultrassonografia não tem 100% de capacidade diagnóstica. Entretanto, a mamografia por ser radiação ionizante (Raio-X) têm riscos e, até o momento, não estamos autorizados a utilizá-la como método de triagem abaixo de 35 anos de idade”, alerta o médico.

O Prof. Thomaz Gollop, recomenda a mamografia entre 35 e 40 anos e, anualmente, após completar 40 anos. As que têm câncer de mama no histórico familiar devem fazê-la anualmente, a partir dos 35 anos. “Toda mulher deve saber que nódulos de mama precisam ser investigados embora, muitas vezes, eles não tenham gravidade”, reafirma o médico.

Veja agora perguntas de dúvidas frequentes retiradas do livro MEDICINA MITOS E VERDADES (Carla Leonel), com respostas do Prof. Thomaz Gollop, autor do capítulo de ginecologia, genética e obstetrícia.

Quais são as mulheres mais propensas ao câncer de mama? Mulheres jovens podem tê-lo?
Existe no câncer de mama um fator genético da ordem de 10% dos casos e é mais frequente nas judias asquenazis. Em todas as mulheres, se a mãe ou a irmã da paciente tiver tido o câncer de mama, as chances dela também desenvolvê-lo são aumentadas. Outro dado estatístico de aumento de probabilidade da doença se refere às mulheres que tiveram seu primeiro filho depois dos 30 anos. O câncer de mama desenvolvido antes da paciente entrar na menopausa tende a ser mais grave do que os que surgirem após a menopausa. Ou seja, quanto mais jovem a mulher for ao contrair o câncer, maiores são as chances de complicações e óbito, em decorrência da doença.

Quem já o teve câncer de mama pode amamentar?
As mulheres que tiveram câncer de mama, após a alta, poderão, a critério médico, amamentar. Porém, em relação a terapia hormonal na menopausa, não existe, até o momento, permissão para fazê-la.

Vale ressaltar que a amamentação tem um efeito protetor sobre o câncer de mama. Quem amamenta tem menor risco de contraí-lo.

Quando é necessário tirar a mama?
A necessidade de cirurgias mais agressivas, como a de retirada da mama, depende do estágio da doença. O câncer de mama identificado em estágios iniciais, quando as lesões são menores de dois centímetros de diâmetro, apresenta prognóstico mais favorável e elevado percentual de cura.

Qual é o tratamento cirúrgico moderno para o câncer de mama?
Em linhas gerais, tumores malignos com menos de dois centímetros não exigem a retirada da mama. Nos tumores nos quais a cirurgia conservadora é contraindicada e houver necessidade de mastectomia (retirada da mama) é importantíssimo que toda mulher saiba da possibilidade de uma cirurgia plástica reconstrutiva, já por ocasião da mastectomia.

A tendência atual é fazer, cada vez mais, cirurgias conservadoras com plástica imediata. Entretanto é importante notar que há diversos tipos de câncer de mama e cada caso deve ser avaliado dentro de suas características.

Uma outra aquisição dos últimos anos é o estudo do linfonodo sentinela. Antigamente, eram retirados todos os gânglios da axila em casos de cirurgia de câncer de mama. Hoje, com o uso da medicina nuclear é possível localizar o primeiro gânglio no qual pode haver metástase (células canceríginas que migram para órgãos vizinhos ou distantes através dos vasos sanguíneos ou linfáticos) e retirá-lo na cirurgia. Não havendo metástase deixa de ser necessária a remoção dos demais gânglios.

TRATAMENTO
Importantes avanços na abordagem do câncer de mama aconteceram nos últimos anos, principalmente no que diz respeito a cirurgias menos mutilantes, assim como a busca da individualização do tratamento. O tratamento varia de acordo com o estadiamento da doença, suas características biológicas, bem como das condições da paciente (idade, status menopausal, comorbidades e preferências).

O prognóstico do câncer de mama depende da extensão da doença (estadiamento). Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. Quando há evidências de metástases, o tratamento tem por objetivos principais prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida. As modalidades de tratamento do câncer de mama podem ser divididas em:
•  Tratamento local: cirurgia e radioterapia
•  Tratamento sistêmico: quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.

INFORMAÇÕES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE REFERENTES AS MEDIDAS PREVENTIVAS REALIZADAS PELO SUS E OS CASOS QUE OFERTAM A CIRURGIA PLÁSTICA REPARADORA EM DECORRÊNCIA DE MUTILAÇÃO DA MAMA PELO CÂNCER

Lei 11.664, de 2008
Ao estabelecer que todas as mulheres têm direito à mamografia a partir dos 40 anos, a Lei 11.664/2008 que entrou em vigor em 29 de abril de 2009 reafirma o que já é estabelecido pelos princípios do Sistema Único de Saúde. Embora tenha suscitado interpretações divergentes, o texto não altera as recomendações de faixa etária para rastreamento de mulheres saudáveis: dos 50 aos 69 anos.

RASTREAMENTO
O rastreamento é uma estratégia dirigida às mulheres na faixa etária em que o balanço entre benefícios e riscos da prática é mais favorável, com maior impacto na redução da mortalidade. Os benefícios são o melhor prognóstico da doença, com tratamento mais efetivo e menor morbidade associada, enquanto os riscos ou malefícios incluem os resultados falso-positivos e falso-negativos, que geram ansiedade ou falsa tranquilidade à mulher; o sobrediagnóstico e o sobretratamento, relacionados à identificação de tumores de comportamento indolente; e o risco da exposição à radiação ionizante, se excessiva ou mal controlada.

O rastreamento pode ser oportunístico ou organizado. No primeiro, o exame de rastreio é ofertado às mulheres que oportunamente chegam às unidades de saúde, enquanto o modelo organizado é dirigido às mulheres elegíveis de uma dada população que são formalmente convidadas para os exames periódicos. A experiência internacional tem demonstrado que o segundo modelo apresenta melhores resultados e menores custos.

Em países que implantaram programas efetivos de rastreamento, com cobertura da população-alvo, qualidade dos exames e tratamento adequado, a mortalidade por câncer de mama vem diminuindo. As evidências do impacto do rastreamento na mortalidade por esta neoplasia justificam sua adoção como política de saúde pública, tal como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, a mamografia e o exame clínico das mamas (ECM) são os métodos preconizados para o rastreamento na rotina da atenção integral à saúde da mulher.

A recomendação para as mulheres de 50 a 69 anos é a realização da mamografia a cada dois anos e do exame clínico das mamas anual. A mamografia nesta faixa etária e a periodicidade bienal é a rotina adotada na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseia-se na evidência científica do benefício desta estratégia na redução da mortalidade neste grupo. Segundo revisões sistemáticas recentes, o impacto do rastreamento mamográfico na redução da mortalidade por câncer de mama pode chegar a 25%.

Para as mulheres de 40 a 49 anos, a recomendação é o exame clínico anual e a mamografia diagnóstica em caso de resultado alterado do ECM. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a inclusão desse grupo no rastreamento mamográfico tem hoje limitada evidência de redução da mortalidade. Uma das razões é a menor sensibilidade da mamografia em mulheres na pré-menopausa devido à maior densidade mamária.

Além desses grupos, há também a recomendação para o rastreamento de mulheres com risco elevado de câncer de mama, cuja rotina deve se iniciar aos 35 anos, com exame clínico das mamas e mamografia anuais.

Segundo o Consenso de Mama, risco elevado de câncer de mama inclui: história familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos ou de câncer bilateral ou de ovário em qualquer idade; história familiar de câncer de mama masculino; e diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipia ou neoplasia lobular in situ.

A definição sobre a forma de rastreamento da mulher de alto risco não tem ainda suporte nas evidências científicas atuais e é variada a abordagem deste grupo nos programas nacionais de rastreamento. Recomenda-se que as mulheres com risco elevado de câncer de mama tenham acompanhamento clínico individualizado.

O êxito das ações de rastreamento depende dos seguintes pilares:
• Informar e mobilizar a população e a sociedade civil organizada;
• Alcançar a meta de cobertura da população-alvo;
• Garantir acesso a diagnóstico e tratamento;
• Garantir a qualidade das ações;
• Monitorar e gerenciar continuamente as ações.

CIRURGIA PLÁSTICA REPARADORA PELO SUS
O procedimento, que já era oferecido em algumas unidades de saúde, passa a ser obrigatório em casos de mutilação da mama em decorrência de tratamento contra o câncer .

Novas medidas determinam que os hospitais que compõem o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereçam cirurgia plástica reparadora da mama nos casos de mutilação decorrentes de tratamento de câncer. De acordo com o documento, quando houver condição técnica, a reconstrução será efetuada no mesmo momento em que for realizada a cirurgia para retirada do câncer. No caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia imediatamente após alcançar as condições clínicas requeridas. O Brasil conta hoje com 181 serviços de saúde credenciados e habilitados pelo Ministério da Saúde para e realização da cirurgia reparadora.

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Fonte: Inca, Ministério da Saúde, Livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). Proibida reprodução total ou parcial sem citar a fonte com o link

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