A princípio, o câncer tem um comportamento silencioso, não demonstrando sinais de sua presença. Dependendo do órgão acometido pelo câncer e do grau que este órgão é envolvido pelo tumor é que se estabelecem as alterações de mau funcionamento. O câncer no fígado, por exemplo, provoca insuficiência hepática. Por isso a necessidade de exames preventivos e conhecer alguns sintomas, já que o diagnóstico precoce diminui significativamente a chance de metástases, aumentando as chances de cura.

O Dr. Rene Gansl, autor do capítulo de oncologia do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel), alerta que os sinais e sintomas decorrentes de um acometimento por câncer são causados, na maioria das vezes, pelo comprometimento do órgão ou estrutura que está sendo "atacado". Veja quais são os principais sinais ou sintomas relacionados com cada órgão ou sistema. As estatísticas descritas nesta matéria se refere apenas ao Brasil:

Câncer na Bexiga ou Rins
Sintomas: sangue na urina
Há três tipos de câncer que começam nas células que revestem a bexiga. A classificação se dá de acordo com as células que sofrem a alteração maligna:
Carcinoma de células de transição: representa a maioria dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga.
Carcinoma de células escamosas: afetam as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongadas.
Adenocarcinoma: se inicia nas células glandulares (de secreção)  que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.
Quando o câncer se limita ao tecido de revestimento da bexiga, é chamado de superficial. O câncer que começa nas células de transição pode se disseminar através do revestimento da bexiga, invadir a parede muscular e disseminar-se até os órgãos próximos ou gânglios linfáticos, transformando-se num câncer invasivo.
Estimativa de novos casos: 8.940 (2014), sendo 6.750 em homens e 2.190 em mulheres

Câncer na Boca
Afeta lábios e o interior da cavidade oral. Dentro da boca devem ser observados gengivas, mucosa jugal (bochechas) palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas), assoalho (região embaixo da língua).
O câncer do lábio é mais comum em pessoas brancas e ocorre mais frequentemente no lábio inferior.
Sintomas: lesões ou ulcerações de difícil cicatrização
Estimativa de novos casos: 14.170, sendo 9.990 homens e 4.180 mulheres (2012)

Câncer de Colo do Útero
O câncer do colo do útero, também chamado de cervical, é causado pela infecção persistente por alguns tipos (chamados oncogênicos) do Papilomavírus Humano -  HPV. A infecção genital por este vírus é muito frequente e não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, podem ocorrer alterações celulares que poderão evoluir para o câncer. Estas alterações das células são descobertas facilmente no exame preventivo (Papanicolau), e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso é importante a  realização periódica deste exame. É o terceiro tumor mais frequente na população feminina.
Sintomas: sangramento vaginal espontâneo ou após relação sexual
Estimativas de novos casos: 15.590 (2014 - INCA)
Número de mortes: 5.160 (2011 - SIM)

Esôfago
No Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) é o 6º entre mais frequente entre os homens e 15º entre as mulheres. O tipo de câncer de esôfago mais frequente é o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por 96% dos casos. Outro tipo, o adenocarcinoma, vem aumentando significativamente.
Sintomas: dificuldade de deglutição (engolir)
Estimativa de novos casos: 10.780, sendo 8.010 homens e 2.770 mulheres (2014 - INCA)
Número de mortes: 7.636, sendo 5.961 homens e 1.675 mulheres (2011 - SIM)

Estômago
Também denominado câncer gástrico, os tumores do estômago se apresentam, predominantemente, na forma de três tipos histológicos: adenocarcinoma (responsável por 95% dos tumores), linfoma, diagnosticado em cerca de 3% dos casos, e leiomiossarcoma, iniciado em tecidos que dão origem aos músculos e aos ossos.
Sintomas: vômitos com sangue, fezes enegrecidas (causada pelo sangue digerido), anorexia (falta de apetite), desconforto na região do estômago, repulsa a ingerir carne.
O pico de incidência se dá em sua maioria em homens, por volta dos 70 anos. Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos. No Brasil, esses tumores aparecem em terceiro lugar na incidência entre homens e em quinto, entre as mulheres. No resto do mundo, dados estatísticos revelam declínio da incidência, especificamente nos Estados Unidos, Inglaterra e outros países mais desenvolvidos.
A alta mortalidade é registrada atualmente na América Latina, principalmente na Costa Rica, Chile e Colômbia. Porém, o maior número de casos ocorre no Japão, onde são encontrados 780 doentes por 100.000 habitantes.
Estimativa de novos casos: 20.390, sendo 12.870 homens e 7.520 mulheres (2014 - INCA)

Fígado
Os tumores malignos de fígado podem ser divididos em dois tipos: câncer primário (que tem sua origem no próprio órgão) e secundário ou metastático (originado em outro órgão e que atinge também o fígado).
Sintomas: icterícia (pigmentação amarela da pele, mucosas e olhos), urina escura, fezes claras;
Número de mortes: 8.100, sendo 4.556 homens e 3.544 mulheres (2011 - SIM)

Colorretal - Intestino e Reto
O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Uma maneira de prevenir o aparecimento dos tumores seria a detecção e a remoção dos pólipos antes de eles se tornarem malignos.
Sintomas: alterações do hábito intestinal, anemia, sangue e muco nas fezes. 
Estimativa de novos casos: 32.600, sendo 15.070 homens e 17.530 mulheres (2014 - INCA)
Número de mortes: 14.016; sendo 6.818 homens e 7.198 mulheres (2011 - SIM)

Laringe
O câncer de laringe ocorre predominantemente em homens e é um dos mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pescoço. Representa cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas. A ocorrência pode se dar em uma das três porções em que se divide o órgão: laringe supraglótica, glote e subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais). O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma epidermoide.
Sintomas: rouquidão persistente
Estimativa de novos casos: 7.640, sendo 6.870 em homens e 770 em mulheres (2014)
Número de mortes: 3.889, sendo 3.369 homens e 520 mulheres (2011 - SIM)

Mama
Segundo tipo mais frequente no mundo, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados.
Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.
Estatísticas indicam aumento de sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes.
Sintomas: nódulo mamário, retração do mamilo, assimetria dos seios.
Estimativa de novos casos: 57.120 (2014 - INCA)
Número de mortes: 13.345, sendo 120 homens e 13.225 mulheres (2011 - SIM)

Ovário
Pouco frequente, o câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura. Cerca de 3/4 dos cânceres desse órgão apresentam-se em estágio avançado no momento do diagnóstico. A maioria dos tumores de ovário são carcinomas epiteliais (câncer que se inicia nas células da superfície do órgão), o mais comum, ou tumor maligno de células germinativas (que dão origem aos espermatozoides e aos ovócitos - chamados erroneamente de óvulos.
Sintomas: aumento do volume abdominal causado por acúmulo de líquido (ascite), tumoração palpável na região abdominal “baixa” quando o tumor alcança em média 15 cm.
Estimativa de novos casos: 5.680 (2014)
Número de mortes: 3.027(2011 - SIM)

Pâncreas
Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, por conta do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo. No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença. Raro antes dos 30 anos, torna-se mais comum a partir dos 60 anos. Segundo a União Internacional Contra o Câncer (UICC), os casos da doença aumentam com o avanço da idade: de 10/100.000 habitantes entre 40 e 50 anos para 116/100.000 habitantes entre 80 e 85 anos. A incidência é mais significativa em homens.
Sintomas: dor abdominal contínua, acompanhada ou não de icterícia.
Número de mortes: 7.726 , sendo 3.803 homens e 3.923 mulheres (2011 - SIM)

Câncer de Pele Não Melanoma
É o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Apresenta altos percentuais de cura, se for detectado precocemente. Entre os tumores de pele, o tipo não-melanoma é o de maior incidência e mais baixa mortalidade.
Estimativa de novos casos: 134.170, sendo 62.680 homens e 71.490 mulheres (2012)
Número de mortes: 1.521, sendo 841 homens e 680 mulheres (2010)

Câncer de Pele Melanoma
O melanoma cutâneo é um tipo de câncer de pele que tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele) e tem predominância em adultos brancos. Embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil e corresponda a 25% de todos os tumores malignos registrados no País, o melanoma representa apenas 4% das neoplasias malignas do órgão, apesar de ser o mais grave devido à sua alta possibilidade de metástase.
O prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom, se detectado nos estádios iniciais. Nos últimos anos, houve uma grande melhora na sobrevida dos pacientes com melanoma, principalmente devido à detecção precoce do tumor.
Sintomas: normalmente não apresenta sintomas. Pessoas com muitas pintas têm maior probabilidade de desenvolver melanoma.  Nos primeiros sinais do melanoma a pessoa nota que algo está crescendo em suas pele. A pele que sangra ao mínimo contato, ocorre mudança das características de pintas pré-existentes e lesão de difícil cicatrização.
Estimativa de novos casos: 6.230, sendo 3.170 homens e 3.060 mulheres (2012)
Número de mortes: 1.507, sendo 842 homens e 665 mulheres (2010)

Próstata
A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres.
O tumor na próstata pode crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.
Sintomas: dificuldade de urinar, retenção urinária, ardência uretral, polaciúria (micções frequentes em pequena quantidade).
Estimativa de novos casos: 68.800 (2014)
Número de mortes: 13.129 (2011 - SIM)

Pulmão
É o mais comum de todos os tumores malignos, apresentando aumento de 2% por ano na sua incidência mundial. A última estimativa mundial apontou incidência de 1,82 milhão de casos novos de câncer de pulmão para o ano de 2012, sendo 1,24 milhão em homens e 583 mil em mulheres.
Em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. No Brasil, foi responsável por 22.424 mortes em 2011.
Altamente letal, a sobrevida média cumulativa total em cinco anos varia entre 13 e 21% em países desenvolvidos e entre 7 e 10% nos países em desenvolvimento. No fim do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis.
Evidências na literatura mostram que pessoas que têm câncer de pulmão apresentam risco aumentado para o aparecimento de outros cânceres de pulmão e que irmãos, irmãs e filhos de pessoas que tiveram câncer de pulmão apresentam risco levemente aumentado para o desenvolvimento desse câncer. Entretanto, é difícil estabelecer o quanto desse maior risco decorre de fatores hereditários e o quanto é por conta do hábito de fumar.
Sintomas: tosse persistente, tosse com escarro sanguinolento, emagrecimento, dor nas costas ao respirar.
Estimativas de novos casos: 27.330, sendo 16.400 homens e 10.930, mulheres (2014).
Número de mortes: 22.424, sendo 13.698 homens e 8.726 mulheres (2011 - SIM)

• Sistema nervoso (tumores cerebrais)
Sintomas: dor de cabeça (persistente e progressiva) - geralmente acompanhada por náuseas e vômitos (devido à pressão ocasionada dentro do cérebro), dormência no corpo, desmaios, falta de equilíbrio, convulsões, paralisia progressiva de um braço e perna do mesmo lado do corpo.

Conteúdo do livro Medicina Mitos e Verdades (Carla Leonel). Capítulo de oncologia. Médico responsável: Dr. Rene Gansl. Inca. Proibida Reprodução total ou parcial sem citar a fonte. Palavras em azul são links que te direcionam ao assunto em questão. Clique para ler. Veja também matérias relacionadas:
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