O tumor na próstata pode ser benigno?
A próstata pode ser acometida principalmente por dois tipos de tumores: a hiperplasia benigna, também conhecida como HBP ou adenoma, e o adenocarcinoma, que é o câncer da próstata. Enquanto 30 de cada 100 homens, em média, terão de se submeter a cirurgia para tratamento da HBP, a incidência do câncer da próstata varia com a idade e é mais alta quanto mais velho for o paciente. Acredita-se que, em homens acima de 80 anos, o câncer de próstata é muito frequente, o que não significa maior risco de morte pelo tumor.

Os pacientes com hiperplasia benigna da próstata (HBP), por apresentarem obstrução da uretra no nível em que esta atravessa a glândula (ver ilustração), podem ter como sintomas mais comuns:
• Jato urinário fraco, intermitente, dificultoso e com gotejamento final;
• Aumento da frequência diurna de micção e noturna, que consiste em acordar uma ou mais vezes durante a noite para urinar;
• Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
• Urgência miccional, caracterizada pela necessidade imperiosa de urinar.

Entre as complicações da hiperplasia benigna, quando não tratada oportunamente, incluem-se retenção urinária aguda, sangramento urinário, infecções urinárias e formação de cálculos (pedras) na bexiga, podendo essas complicações, em casos mais avançados, provocar falência da musculatura da bexiga e até mesmo insuficiência renal.

O tratamento da hiperplasia benigna da próstata pode ser realizado por:
• Medicamentos via oral;
• Ressecção transuretral da próstata (RTU): cirurgia endoscópica realizada pela uretra. Remove a próstata em fragmentos, por meio de corte com corrente elétrica, possibilitando enviar material para exame microscópico (exame anatomopatológico), caso necessário;
• Cirurgia convencional: nos casos de próstatas muito volumosas (acima de 80g).

Outros métodos terapêuticos têm sido mais recentemente propostos pela cirurgia endoscópica e utilizados para o tratamento da doença, entre eles:
• Cirurgia a laser: provoca a destruição do tecido com laser;
• Eletrovaporização: espécie de RTU com corrente elétrica mais intensa, que vaporiza o tecido prostático, com  a vantagem de  menor sangramento. Por ser um método que vaporiza o tecido, não permite a obtenção da próstata para exame anatomopatológico, caso haja necessidade.

Quando existe dúvida quanto à ocorrência de tumor, a técnica preferida é ressecção transuretral da próstata (RTU), que admite a retirada de material para exame anatomopatológico, apresentando também resultados satisfatórios em próstatas com volume de 60 a 80g. Além das condições descritas acima, o sucesso desses tratamentos depende, fundamentalmente, da habilidade e experiência do cirurgião na utilização adequada das técnicas disponíveis. A próstata normal tem um volume equivalente a até 20g de peso.

Conteúdo do livro MEDICINA — MITOS & VERDADES (Carla Leonel )  Capítulo de urologia. Médico responsável Prof. Dr. Sami Arap (Prof. Titular Emérito da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina – USP e Coordenador do Núcleo Avançado de Urologia do Hospital Sírio Libanês.

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